<T->
           Histria
           Viver e Aprender
           #a srie 
           Elian Alabi Lucci
           Anselmo Lazaro Branco

<F->
   Impresso braille em 2
   partes, da 1 edio, 
   2001, da editora Saraiva.
<F+>

           Primeira Parte

           Ministrio da Educao 
           Instituto Benjamin Constant
           Diviso de Imprensa Braille
           Av. Pasteur, 350/368 -- Urca
           22290-240 Rio de Janeiro
           RJ -- Brasil
          Tel.: (0xx21) 3478-4400
          Fax (0xx21) 3478-4444
          ~,http:www.ibc.gov.br~,
          E-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~, 
           -- 2003 --
<P>
           Superviso Editorial:
           Jos Lino Fruet
           Editora: 
           Emlia Noriko Ohno
           Assistentes editoriais:
           Ana Paula Piccoli e
           Ana Paula Figueiredo
           Reviso:
           Fernanda Almeida Umile 
           Ilustraes:
           Eli Len e Joo Anselmo
  
           ISBN 85-02-03465-0

           Todos os direitos reservados
           Editora Saraiva
           Av. Marqus de So Vicente, 
           1697 -- Barra Funda
           01139-904 So Paulo 
           SP -- Brasil           
           Fone: (0xx11) 3613-3000
           Fax: (0xx11) 3611-3308
<F->
e-mail: ~,atendprof.didatico@~
  editorasaraiva.com.br~,
~,www.editorasaraiva.com.br~,
<F+>

<P>
                               I
Nota Oficial da Comisso
 Brasileira do Braille (CBB) 

  A transcrio desta obra est de acordo com a "Grafia Braille para a Lngua Portuguesa -- Braille Integral", constante da publicao CDU 376.#ceb, editada em tinta e em braille pelo Ministrio da Educao e aprovada pela Portaria Ministerial n.o 2678, de 24 de setembro de 2002, com vigncia a partir de 01 de janeiro de 2003.
  O referido documento foi elaborado pela Comisso Brasileira do Braille e pela Comisso de Braille de Portugal aps prolongados e criteriosos estudos tcnicos.
  No final desta nota voc encontrar uma listagem com smbolos estabelecidos pela "Grafia".
  A maioria deles j  do seu conhecimento, mas existem alteraes e alguns smbolos novos.
<P>
  As alteraes e a adoo de novos smbolos basearam-se principalmente nos seguintes critrios:

<R+>
 1. Ajustar a grafia bsica a novas necessidades da representao braille.
 2. Adequar a escrita braille s modificaes realizadas nas representaes grficas decorrentes do avano cientfico e tecnolgico e do emprego cada vez mais freqente da Informtica.
 3. Evitar a duplicidade de representao de smbolos 
  braille.
 4. Ajustar a grafia bsica, considerando o "Cdigo Matemtico Unificado" (CMU), adotado no Brasil desde 1997.
 5. Garantir a qualidade da transcrio de textos para o Sistema Braille, especialmente dos livros didticos.
<P>
                            III
 6. Favorecer o intercmbio entre pessoas cegas e instituies de diferentes pases de Lngua
  Oficial Portuguesa.
 7. Atender s recomendaes da Unio Mundial de Cegos (UMC) e da UNESCO quanto  unificao das grafias por grupos lingsticos.
<R->
  Em caso de dvida, voc poder consultar a "Grafia Braille para a Lngua Portuguesa", em cujo texto encontrar todos os smbolos adotados, as respectivas normas de aplicao e diversos exemplos ilustrativos.
  A seguir, listagem de smbolos adotados pela "Grafia". O nmero entre parnteses que acompanha um smbolo novo ou alterado indica o pargrafo da "Grafia" em que se estabelece a sua norma de aplicao.
<P>
<R+>
 , vrgula
 ; ponto-e-vrgula
 : dois-pontos
 ' ponto (32); apstrofo 
 ? ponto de interrogao
 ! ponto de exclamao
 ''' reticncias
 - hfen ou trao de unio
 -- travesso
  crculo
 `( `) ou ( ) abre e fecha parnteses (35)
 `[ `] ou [ ] abre e fecha colchetes (35)
 " abre e fecha aspas, vrgulas altas ou comas (36)
 " abre e fecha aspas angulares (36)
 $" abre e fecha outras variantes de aspas 
(aspas simples, por exemplo) (36)
 * asterisco 
 & "e" comercial (39)
 / barra (40)
 | barra vertical (40)
 :> seta para a direita
 <: seta para a esquerda
 <:> seta de duplo sentido
                               V
  Euro (18.1)
 $ cifro
 % por cento
  por mil
  pargrafo(s) jurdico(s)
 + mais
 - menos
  multiplicado por
  dividido por, trao de frao (17)
 = igual a
 ~ trao de frao (17)
 o maior que
  menor que
  grau(s)
  minuto(s)
  segundo(s)
 { sinal de maiscula
 {{ sinal de maiscula em todas as letras da palavra
 :{{ sinal de srie de palavras com todas as letras maisculas
 ~ sinal de minscula latina; sinal especial de translineao de expresses matemticas 
(22.1)
 $ sinal restituidor do significado original de um smbolo 
  braille (42)
 # sinal de nmero
  sinal de expoente ou ndice superior
  sinal de ndice inferior
 * sinal de itlico, negrito ou sublinhado (30)
 ~: sinal de transpaginao (55)
 @ arroba (apndice 1`
 ~, sinal delimitador de contexto informtico (apndice 1`
<R->
<P>
                            VII
<F->
Dados Internacionais de Cata-
  logao na Publicao (CIP)
(Cmara Brasileira do Livro,
  SP, Brasil)

Lucci, Elian Alabi, 1943-
  Viver e aprender histria, 4 
srie / Elian Alabi Lucci, 
Anselmo Lazaro Branco. -- 1. 
ed. -- So Paulo : Saraiva,
2001. -- (Viver e apren-
der ; 4)

  Edio no-consumvel.
  Suplementado por manual do 
professor.
  ISBN 85-03-03465-0 
(aluno) -- ISBN 85-0203466-9
(professor)
 
  1. Histria (Ensino fun-
damental) I. Branco, Anselmo 
Lazaro. II. Ttulo. III. 
srie.

01-1838          CDD-372.89
<F+>

ndices para catlogo 
  sistemtico:

1. Histria : Ensino funda-
  mental 372.89

<P>
                             IX
Caro aluno,

  Desde o seu nascimento voc convive com pessoas e faz muitas histrias!
  Certamente j viveu muitas histrias!
  Sua prpria vida  uma histria e, a cada dia, voc constri um pedacinho dela.
  Escrevemos este livro de histria, pensando em criar um espao para voc falar sobre sua 
vida, seus sentimentos, suas opinies. Propomos um trabalho dinmico para que voc,
com o professor e os colegas, possa tambm conhecer outros modos de vida e outras
opinies. Alm disso, conhecer o mundo ao seu redor e histrias de pessoas
que, como voc, tambm fazem histria.
  Um bom ano, repleto de novas histrias!

  Os autores
 
<P>
<P>
                             XI
Seu Livro em Braille

  Este  o livro utilizado em sua classe, produzido em braille para voc. Ele contm as mesmas informaes que esto no livro do seu colega, porm, enquanto o livro comum apresenta ilustraes, cores e tamanhos variados de letras (grandes, pequenas, arredondadas, retas, inclinadas, ligadas umas s outras, separadas), o seu livro em braille apresenta descries substituindo ilustraes e, em 
muitos casos, figuras so explicadas, procurando fazer voc compreender o que elas representam.
     
Dicas para estudar no seu livro
  em braille   

  1 -- As pginas mpares deste livro apresentam duas numeraes na primeira linha: a que fica  direita  a do prprio livro em braille e a que est  esquerda  a do livro comum. Por esta, voc pode se localizar, de acordo com a orientao do professor, ou quando estiver estudando com outros colegas.

  2 -- Em alguns momentos, voc precisar contar com a colaborao de algum; por isto, foi colocada a frase "pea orientao ao professor" para sugerir que voc solicite informaes ou esclarecimentos a seu professor.

  3 -- Sempre que voc encontrar nos textos alguma informao visual e tiver dvida, pergunte a seu professor ou a outra pessoa capaz de esclarec-lo.

  4 -- Quando voc encontrar o sinal _ e, depois dele, uma frase terminada pelo sinal _ saiba que se trata de uma explicao especial chamada "nota de transcrio", empregada nos livros em braille.

<P>
                           XIII
  5 -- Leia com ateno a Nota Oficial da Comisso Brasileira do Braille, na pgina I. Ela informar voc sobre algumas alteraes dos sinais braille, em vigncia a partir de janeiro de 2003, facilitando, assim, a leitura dos textos.

  Tire o melhor proveito deste livro e procure conserv-lo. Ele  uma fonte permanente de consulta.

<P>
<P>
                             XV
<F->
Sumrio Geral

Primeira Parte

Unidade 1
Os Primeiros Povos da
  Amrica e os ndios
  do Brasil :::::::::::::::: 1
Os Primeiros Povos 
  da Amrica ::::::::::::::: 4
-- Caadores-Coletores,
  Sambaquieiros e
  Ceramistas ::::::::::::::: 6
Os ndios at a Chegada
  dos Europeus ::::::::::::: 19
Cultura Indgena :::::::::: 27

Unidade 2
A Conquista Portuguesa
  e os Primeiros
  Contatos com os
  ndios do 
  Brasil ::::::::::::::::::: 36
Em Busca de Lucros ::::::: 39
Chegam os Primeiros
  Portugueses :::::::::::::: 48
<P>
Encontros e Desencontros
  Entre ndios e
  Europeus ::::::::::::::::: 53
Onde Esto os 
  ndios Hoje? :::::::::::: 63

Unidade 3
Trabalho, Sociedade e
  Produo no Brasil
  Colonial ::::::::::::::::: 75
ndios e Europeus na
  Explorao do 
  Pau-Brasil :::::::::::::: 80
Comea a Colonizao 
  do Brasil :::::::::::::::: 84
De Onde Vieram os
  Escravos Negros? :::::::: 91
Vida e Trabalho
  nos Engenhos ::::::::::::: 98
Atividades Econmicas
  no Interior :::::::::::::: 111
Os Caminhos do
  Serto ::::::::::::::::::: 118
A Minerao e as
  Cidades :::::::::::::::::: 120
Trabalho e Trabalha-
  dores na poca da 
  Minerao :::::::::::::::: 124

                            XVII
Segunda Parte

Unidade 4
Economia e Sociedade 
  no Brasil Imperial
  e Republicano :::::::::::: 139
O Governo de Portugal
  se Transfere para
  o Brasil ::::::::::::::::: 143
O Brasil se Torna um 
  Pas Independente ::::::: 148
Caf, Base da Economia
  no Imprio ::::::::::::::: 152
-- Quem Plantava o
  Caf? :::::::::::::::::::: 157
Chegam os Imigrantes :::::: 165
Da Monarquia  
  Repblica :::::::::::::::: 168
O Que Mudou com 
  a Repblica? ::::::::::::: 172
Alternativas da Populao
  Rural :::::::::::::::::::: 177
O Desenvolvimento das
  Indstrias e os
  Operrios :::::::::::::::: 186
<P>
A Economia e o Trabalho
  a Partir de 1960
  At os Dias Atuais ::::: 194
<F+>

<Thist. v. apren. 4>
<T+1>
Unidade 1

Os Primeiros Povos da Amrica
  e os ndios do Brasil

Primeiro s ns ndios
Vivamos nessa terra.
Os ndios eram donos
De todas as matas,
Eram donos
De todos os rios,
Eram donos
De todos os campos.
(...)
<F+>

               ::::::::::::::::::::::::
              
<6>
Para comear

  Quem so os ndios do Brasil? Os povos que formam hoje a populao indgena
brasileira so descendentes dos primeiros habitantes do continente americano 
e dos ndios que os portugueses encontraram vivendo aqui em 1500.
  A letra da cano popular de Antonio Nbrega e Wilson Freire, reproduzida 
a seguir, cita alguns desses povos indgenas e fala de forma potica do 
momento da chegada dos portugueses s futuras terras brasileiras e de como 
foi o primeiro contato entre ndios e europeus.

Chegana

<R+>
Sou Patach,
 sou Xavante e Cariri, Ianomami,
 sou Tupi Guarani, sou Caraj
 Sou Pancaruru, 
 Carij, Tupinaj,
 Potiguar, sou Caet,
 Ful-ni-, Tupinamb.
 Depois que os mares
 dividiram os continentes,
 quis ver terras diferentes.
 Eu pensei "vou procurar
 um mundo novo,
 l depois do horizonte,
 levo a rede balanante
 pra no Sol me espreguiar".
 Eu atraquei
 num porto muito seguro,
<7>
 cu azul, paz e ar puro... 
 Botei as pernas pro ar. 
 Logo sonhei 
 que estava no paraso, 
 onde nem era preciso 
 dormir pra se sonhar. 
 Mas de repente 
 me acordei com a surpresa... 
 uma esquadra portuguesa 
 veio na praia atracar. 
 Da Grande-nau, 
 um branco de barba escura,
 Vestindo uma armadura
 me apontou pra me pegar.
 E assustado
 dei um pulo l da rede,
 pressenti a fome, a sede,
 eu pensei: "Vo me acabar".
 Me levantei
 de borduna j na mo.
 A, senti no corao,
 o Brasil vai comear.

Antonio Nbrega. *Madeira que cupim no ri*.
So Paulo, Estdios Eldorado. Sob licena da
Brincante Empreendimentos Artsticos, 1997

<P>
1 Identifique no texto os nomes dos povos indgenas citados. Depois, 
procure no dicionrio o significado das palavras que voc no conhece 
e escreva no caderno.
 2 Como foi descrito no texto o homem que chegou na Grande-nau? 
     Quem ele representa? Quais eram suas intenes? 
 3 Na sua opinio, o Brasil s comeou com a chegada dos homens da 
Grande-nau?
<R->

               oooooooooooo

Os Primeiros Povos da Amrica

  Algumas das pistas mais importantes sobre o passado dos primeiros povos da 
Amrica so os esqueletos de seres humanos e de animais. Construes 
religiosas (como templos e tmulos) e moradias tambm so fontes valiosas. 
Alm disso, objetos ou fragmentos de objetos usados por eles (como cermicas,
adornos ou enfeites, instrumentos agrcolas, de caa e de pesca) e pinturas 
feitas em rochas ou nas paredes de cavernas auxiliam no estudo da histria 
desses povos.

<R+>
1 Observe a foto a seguir. Ela mostra alguns objetos utilizados pelos 
primeiros habitantes da Amrica.

_`[{foto de trs projteis pontiagudos feitos com material duro e slido_`]

     Responda no caderno:
 a) De que materiais voc acha que eles so feitos?
 b) Para que seriam utilizados?
 c) Na sua opinio, qual a importncia desses objetos hoje?
<R->

  Os primeiros povos americanos tinham muitas diferenas entre si.
Vamos estudar trs importantes grupos que se distinguiam de acordo com as 
atividades que realizavam e os lugares que habitavam. So os 
caadores-coletores, os sambaquieiros e os ceramistas.

               oooooooooooo

Caadores-Coletores, Samba-
  quieiros e Ceramistas

  Os primeiros grupos humanos que habitaram a Amrica eram formados por 
homens, mulheres e crianas sem moradia fixa (nmades), que viviam em busca 
de alimentos e abrigo. Os estudiosos deram-lhes o nome de caadores-coletores.
<9>
  Como o prprio nome indica, eles caavam e coletavam na natureza tudo o 
que necessitavam para sobreviver. Para realizar essas atividades, utilizavam
instrumentos feitos de ossos e pedras, como facas, anzis, raspadores, 
arcos e flechas.

<R+>
_`[{foto de pinturas feitas nas paredes de uma caverna. Legenda a seguir_`]
<R->
  Pintura rupestre, representando pessoas e animais, realizada entre 7.000
e 8.000 anos atrs. Toca da Entrada do Baixo da Vaca, municpio de 
So Raimundo Nonato, PI.

  Os sinais mais antigos da presena dos caadores-coletores na Amrica tm 
cerca de 11 mil anos. Aproximadamente 5 mil anos depois, comearam a surgir 
algumas diferenas mais profundas entre esses povos, distinguindo 
principalmente os do litoral e os do interior.
  Alguns grupos comearam a realizar a pesca em rios e mares -- como os 
sambaquieiros. Outros, que viviam no interior, passaram a cultivar alimentos
por meio da agricultura e a armazenar comida para os perodos do ano em que 
no havia colheita -- como os ceramistas.
  *Sambaqui* vem de *tbaki*, palavra da lngua tupi que significa "amontoado
de mariscos". Os sambaquis so, portanto, montes artificiais formados por 
conchas, mariscos e restos de outros animais (peixes e aves, por exemplo) 
que serviam de alimento para os sambaquieiros. Alguns deles chegam a medir 
30 metros de altura, o equivalente a um prdio de 11 andares.
<10>
  Alm de pescar, os sambaquieiros caavam. Como viviam no alto desses montes,
que eles mesmos faziam, podiam observar  distncia os cardumes e os animais, 
percebendo, assim, qual era a melhor ocasio para a caa e a pesca.
  Eles tambm tinham o costume de enterrar seus mortos sob os montes de 
conchas. Os esqueletos, os objetos de uso pessoal dos mortos e as esculturas
que foram descobertos nesses lugares indicam que havia cerimnias nos 
enterros para homenagear os mortos.

<P>
<R+>
1 Apesar de caarem, os sambaquieiros alimentavam-se basicamente de peixes
e moluscos. Converse com seus colegas e tentem descobrir por que esses povos
tinham esses hbitos alimentares.
<R->

  Os sambaquieiros viveram principalmente no trecho do litoral que fica
entre os atuais estados do Esprito Santo e Rio Grande do Sul at mil anos 
atrs, quando praticamente desapareceram. Mas o que aconteceu com esses 
povos? Leia o texto a seguir.
<R->

<11>
Como termina a histria dos 
  sambaquieiros?

  Entre os arquelogos, circulam diversas hipteses sobre o que aconteceu 
com os sambaquieiros. Sabe-se que, alguns sculos antes da chegada dos
portugueses, eles entraram em contato com povos vindos do interior, 
chamados pelos pesquisadores de "ceramistas" (...). Talvez os sambaquieiros
tenham sido expulsos do litoral por esses povos e rumado para o interior, 
seguindo os rios. Talvez muitos tenham sido eliminados. Ou, talvez, alguns
deles tenham simplesmente se enturmado e passado a fazer parte da populao
de ceramistas.

<R+>
Revista *Cincia Hoje das Crianas*. n.o 101. Rio de Janeiro, SBPC, abril de 2000. p. 13

_`[{parte do mapa do Brasil destacando as cidades de maior concentrao de
sambaquis no territrio brasileiro: Vitria (ES), Maca (RJ), Ubatuba (SP), Canania (SP),
Paranagu (PR), Joinvile (SC), Blumenau (SC), Florianpolis (SC), Laguna (SC)
e Torres (RS)_`]

2 Procure no dicionrio o significado da palavra *hiptese*.
 3 No texto so formuladas algumas hipteses sobre a extino dos sambaquieiros. 
Quais so elas?
<12> 
 4 Suponha que voc  um arquelogo ou historiador que vive no ano 3000 e 
que, nessa poca, no existam mais culos. 
 a) Ao escavar um stio arqueolgico, voc encontra esse objeto desconhecido.
Que hipteses levantaria a respeito da utilidade dele?
 b) Continuando sua pesquisa, voc encontra a fotografia de uma pessoa
usando culos. Voc reformularia suas hipteses iniciais? Por qu?
 c) Que outras hipteses poderia formular a partir desse fato novo?
<R->

  Os grupos de ceramistas mais conhecidos atualmente so os que viveram na 
atual regio amaznica. Eram agricultores e, para armazenar os alimentos, 
faziam potes, panelas e tigelas de cermica. 
  No incio, a cermica tinha apenas a funo de guardar e conservar os alimentos para a poca em que 
no havia colheita. Com o tempo, os ceramistas passaram a produzir verdadeiras obras de arte, das quais
ainda hoje restam muitas peas. 
  Os principais povos ceramistas da Amaznia foram os marajoaras (que 
habitaram a ilha de Maraj) e os tapajnicos (que viveram s margens do 
rio Tapajs, prximo do atual municpio de Santarm, no Par).
  Tanto a cermica marajoara quanto a tapajnica serviam tambm para 
sepultar os mortos e como objetos de enfeite. Eram muito resistentes, 
decoradas e leves.
  As urnas funerrias eram usadas em festas religiosas, nas quais os mortos 
eram cremados. Outros potes de cermica eram usados para armazenar alimentos.
<13>
  Os marajoaras viveram na ilha de Maraj entre os anos 400 e 1300, 
aproximadamente. Plantavam e colhiam alimentos e reuniam-se em aldeias que 
chegavam a abrigar cerca de 10 mil pessoas.
  Os tapajnicos comearam a formar sua cultura por volta do ano 500, e 
pouca coisa restou deles depois da chegada dos europeus, no ano de 1500. 
Alm de agricultores e ceramistas, os tapajnicos eram povos guerreiros. 
Usavam arco e flecha, nas pontas das quais colocavam o *curare*, um tipo 
de veneno extrado de certos cips. As mulheres tapajnicas tambm 
participavam das guerras. Isso pode ter levado os portugueses a confundi-las
com as amazonas, quando aqui chegaram.

<R+>
_`[{duas fotos: a primeira apresenta trs tangas e a segunda,
um amuleto. Legendas a seguir_`]
<R->
  Foto 1: Uma das peas de cermica que os marajoaras faziam era uma espcie de 
tanga, usada pelas mulheres. Essas tangas tinham um formato triangular.
Nas pontas, eram feitos furos por onde passavam cordes que prendiam a 
tanga ao corpo. Provavelmente, esse tipo de roupa era usado em situaes 
especiais, como festas.
  Foto 2: Os muiraquits eram amuletos usados pelas mulheres tapajnicas no s 
como enfeite, mas tambm porque acreditavam que eles tinham o poder de 
prevenir doenas. Na foto, muiraquit de pedra encontrado na Amaznia.

               ::::::::::::::::::::::::

Conhecendo melhor as palavras

  As lendas so histrias de tradio oral, transmitidas de gerao para 
gerao, nas quais os fatos so alterados pela imaginao das pessoas.
  Leia, a seguir, a lenda das amazonas.

As mulheres guerreiras

  Foi Orellana, explorador espanhol que descobriu o rio Amazonas, o primeiro
a contar a histria das mulheres guerreiras do Brasil. Diz ele que se 
encontrava na foz do rio Amazonas, quando foi atacado pelas *amazonas*.
Os ndios as chamavam de *icamiabas*, isto , mulheres sem marido.
  As amazonas eram ndias altas, esbeltas e formosas. Tinham longos 
cabelos negros tranados em volta da cabea. (...)
  Suas casas eram feitas de pedra, solidamente fortificadas. As aldeias, 
cercadas de muros altos e resistentes, eram inatacveis. Robustas, geis 
e corajosas, as amazonas eram guerreiras temveis. Lutavam com valentia 
e ferocidade. Manejavam o arco e a flecha com percia extraordinria. 
Atacavam as tribos vizinhas e as escravizavam. (...)
  Jaci, a Lua, era a deusa protetora das amazonas. O lago Iaciur, 
junto das cabeceiras do rio Jamund, era sagrado. As amazonas o 
consideravam como o Espelho da Lua, e da o seu 
<15>
nome. Todos os anos, por ocasio das festas consagradas a Jaci, as amazonas
seguiam, em romaria, para as margens desse lago. A Lua cheia era ento
festejada com bailados, cnticos e oferendas. As filhas de Jaci coroavam-se 
de flores e executavam uma dana bela e selvagem. 
  (...) Pouco antes da meia-noite, quando a Lua atingia o alto do cu,
as amazonas dirigiam-se para o lago, levando nos ombros potes cheios de
perfumes, que derramavam na gua para purific-la.  meia-noite,
mergulhavam no fundo do lago e de l traziam um barro verde a que davam
formas variadas: de r, de peixe, de tartaruga. 
  Esse barro esculpido servia de amuleto e chamava-se *muiraquit*.
Depois que o barro secava, esses amuletos ficavam duros como ferro. 
Eram oferecidos aos guacaris, que os traziam pendurados ao pescoo. 
Ainda hoje, alguns descendentes de antigos habitantes da Amaznia 
possuem muiraquits. O povo acredita que eles tm o poder de evitar 
molstias e desgraas.

<R+>
Theobaldo Miranda Santos. *Lendas e mitos do Brasil*. So Paulo,
Nacional, 1975. p. 34-36

1- O que mais lhe chamou a ateno nessa lenda?
 2- Pesquise lendas da regio onde voc mora e traga-as para a sala de aula.

5 Vamos fazer objetos de cermica, assim como os antigos habitantes
da Amrica? Pea para seus pais ou responsveis comprarem um pouco de 
argila e faa os objetos que desejar. Podem ser potes, enfeites, 
brinquedos... Use a sua criatividade!

<16>
6 Observe estas fotos:

_`[{trs fotos descritas a 
  seguir_`]
  Foto 1: mostra ndios ianommis de Roraima, com os rostos e corpos 
pintados e com penas introduzidas nas orelhas. Um deles usa bon.
  Foto 2: Mostra uma criana ianommi de Roraima, enfeitada com 
pulseiras, cordes e fibras introduzidas nos lbios e narinas.
  Foto 3: Mostra um jovem com os cabelos pintados, usando 
brincos e piercing.

     O que voc percebe de semelhante entre os indgenas e o jovem que
aparecem nas fotos?
<R->

               oooooooooooo

<P>
Os ndios At a Chegada
  dos Europeus
 
  Os povos que hoje chamamos de ndios descendem dos primeiros habitantes 
do continente americano. Eles foram assim chamados devido ao engano de 
Cristvo Colombo, navegador europeu que comandou os primeiros navios que 
chegaram ao continente americano, no final do sculo XV. Pensando ter 
chegado  ndia, Colombo chamou de ndios as pessoas que encontrou.
<17>
  No territrio que hoje corresponde ao Brasil, por exemplo, calcula-se
que havia, em 1500, de 2 a 4 milhes de indgenas. Esse nmero  estimado, 
ou seja, no h como saber ao certo quantas pessoas habitavam o territrio. 
 possvel que alguns povos indgenas tenham desaparecido totalmente, sem 
termos tido nenhum conhecimento deles. 

<P>
<R+>
_`[{mapa do Brasil destacando os povos indgenas e os estados por eles
habitados na poca da chegada dos portugueses. Relao a seguir_`]
<R->
  Tupi-guarani: Parte dos estados: AM, PA, RO, MA, PI, CE, RN, PB, AL,
SE, BA, PE, MG, ES, RJ, SP, MT, MS, PR, SC e RS
  J: Todo o estado de GO e parte dos estados: TO, MT, MS, PA, MA, PI, CE,
RN, PB, PE, AL, SE, BA, MG, SP, PR e SC
  Aruak: Parte dos estados: AM, RR, AP, MT e MS, PA, AP, PI E BA
  Pano: Todo o estado do AC e parte do estado do AM
  Tukano: Parte do estado do AM
  Charrua: Parte do estado do RS
  Outros grupos: Parte dos estados: RO, PA, BA, MG, ES, RJ, MT, MS e TO
<P>
<R+>
1 Observe o mapa acima e responda no caderno: Que grupos indgenas
viviam na regio onde fica o seu estado?
 2 Hoje ainda h representantes desses grupos vivendo na regio? Se
houver, procure saber quantos so e como vivem atualmente. Se no,
descubra o que aconteceu com eles.
<R->

  O tupi foi o primeiro povo indgena com que os portugueses tiveram
contato quando chegaram aqui. Esse povo vivia separado em diversos
<18>
grupos espalhados pelo litoral, mas os portugueses reconheceram apenas dois 
desses grupos, que viviam na regio de Porto Seguro, atual estado da Bahia, 
e os chamaram de tupinambs e tupiniquins.
  Cada grupo tinha seus costumes, sua lngua, suas crenas, seu modo de 
construir casas, sua forma de organizao familiar, enfim, 
<P>
sua cultura, seu modo de vida.

               ::::::::::::::::::::::::

Documentando

  Entre os vrios grupos indgenas brasileiros, a disposio das aldeias, 
o tipo das moradias e o material empregado em sua construo variavam, 
embora se possa identificar muitas semelhanas entre eles.
  Leia um texto sobre o modo como alguns povos indgenas construam suas 
moradias.

A casa dos nossos ndios

  As moradias dos primitivos (1) habitantes do nosso pas eram cabanas 
construdas com o material mais abundante de que dispunham: as rvores 
das florestas, que lhes forneciam a madeira (para a es-
<F->
::::::::::::::::::::::::::::::::::
     (1) Primitivos: no texto,
  significa primeiros.
<F+>
<P>
trutura) e a palha (para a cobertura e as paredes). O grau de acabamento dessas construes
variava de acordo com os hbitos de vida dos grupos indgenas. Aqueles 
que viviam da caa e da coleta de alimentos deslocavam-se freqentemente. 
Suas habitaes, usadas apenas por curtos perodos, eram muito simples: 
s vezes, somente uma cobertura de palha, que servia de proteo contra 
as chuvas. J os que se dedicavam a atividades agrcolas permaneciam por
mais tempo junto a suas roas. Por isso, suas cabanas eram resistentes e
de construo mais elaborada.
  Quem visita hoje os aldeamentos indgenas do Parque Nacional do Alto 
Xingu pode apreciar este ltimo tipo de construo. As moradias das 
tribos ali fixadas so casas amplas, medindo de 20 a 25 metros de 
comprimento, por 15 metros de largura (...). 
<19>
  A casa  uma residncia familiar onde podem morar at 30 pessoas, todas 
ligadas por laos de parentesco. Apesar de ser uma construo to ampla, 
ela resiste bem aos temporais e ventos fortes que assolam (2) a regio. 
O isolamento trmico (3) do sap e o arejamento (4) -- garantido pela 
altura -- mantm o ambiente interno sempre fresco e agradvel.

<R+>
Revista *Nova Escola*. n.o 5. So Paulo, Abril, agosto de 1986. p. 67
<R->

<R+>
_`[{foto de uma moradia indgena. Legenda a seguir_`]
<R->
  As moradias do Parque Nacional do Alto Xingu possuem cerca de 10 metros 
de altura e sua co-
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
      (2) Assolam: atingem.
      (3) Isolamento trmico: 
  o que impede que a temperatura
  interna varie muito, por in-
  fluncia da temperatura externa.
      (4) Arejamento: entrada 
  e circulao do ar no ambiente.
<F+>
<P>
bertura, que vai do alto at o cho,  de sap. Elas no
possuem divises internas nem janelas, apenas duas aberturas: uma virada 
para o centro da aldeia, e a outra para o lado de fora.

<R+>
1- Faa uma pesquisa para saber o que  o Parque Nacional do Alto Xingu.
 2- Nas construes que utilizamos como moradia, as janelas so muito
importantes para que os ambientes recebam ar e luz. Por que as moradias 
indgenas do Alto Xingu no precisam de janelas? 
   
<20>   
3- Compare a sua casa com a habitao indgena do Alto Xingu, descrita no 
texto com relao:
 a) ao tamanho;
 b)  distribuio interna;
 c) ao nmero de moradores e s relaes de parentesco entre eles.
     Depois escreva um pequeno texto mencionando as semelhanas e diferenas.

4- Em sua opinio, o que as diferenas indicam sobre o modo de vida nas 
culturas indgenas e no-indgenas?
 5- Alm da cultura, outros fatores determinam o tipo de construo das
moradias, como, por exemplo, o clima e o local onde elas esto localizadas. 
Observe estas fotos e identifique a que fatores o tipo das construes est
relacionado. 
<R->

<R+>
_`[{trs fotos descritas a seguir_`]
<R->
  Foto 1: Casas em estilo 
 europeu.
  Foto 2: Palafitas -- casas construdas sobre estacas em terreno alagado.
  Foto 3: Iglu -- casa em forma de cpula, construda pelos esquims com
blocos de neve.

               oooooooooooo
<P>
Cultura Indgena

  Apesar das diferenas entre os grupos indgenas que viviam aqui antes da 
chegada dos portugueses, alguns costumes eram comuns  maioria deles e 
permanecem at hoje.
  Os povos indgenas, em geral, dividiam o trabalho por sexo. As mulheres 
plantavam, colhiam frutos, fabricavam farinha, teciam redes, tranavam 
cestos, faziam peas de cermica (como potes e panelas), cozinhavam, 
cuidavam das crianas pequenas. Os homens ocupavam-se da derrubada das 
matas, caavam, pescavam, cortavam lenha, construam as habitaes, 
limpavam o terreno para as plantaes, cuidavam da defesa da tribo, 
fabricavam canoas e armas. As crianas acompanhavam os adultos em suas 
atividades e assim aprendiam os trabalhos.
  Alguns grupos praticavam a agricultura, plantando alimentos como
mandioca, milho, inhame, batata-doce, abbora e ervilha. Alm disso,
praticavam a coleta e o extrativismo, ou seja, utilizavam plantas nativas
para se alimentar e preparar remdios e a madeira das rvores para fazer
as moradias e canoas, por exemplo.
  Os indgenas plantavam e extraam da natureza somente o que necessitavam 
para sua sobrevivncia, como fazem ainda hoje. Quando a terra ficava esgotada
e comeava a produzir menos, eles mudavam o local de plantao e deixavam a 
mata voltar a crescer naquele lugar. Por isso, o modo de vida desses povos 
no destrua a natureza da forma como o modo de vida dos brancos faz.
<22>
  Entre os povos indgenas que viviam aqui at a chegada dos portugueses 
tambm no existia o conceito de propriedade privada. A terra e os seus 
recursos pertenciam a todos os membros do grupo. O que se plantava e o 
que se obtinha na natureza era utilizado por todos. 
  Veja o que os ticunas, povo que vive no atual estado do Amazonas, pensam 
sobre a terra. 

  A nossa riqueza est na terra. Nela podemos formar nossas aldeias, 
cultivar nossas roas. 
  Nos rios, igaraps (1) e lagos podemos pescar.
  Na floresta tem caa, remdios, frutas. Tem madeira para construir a 
casa, a canoa. Tem materiais para fabricar os enfeites, as tintas, as 
mscaras e os instrumentos musicais.
  Da floresta vm as histrias para contar e os espritos que ajudam a curar.
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
      (1) Igaraps: canais es-
  treitos entre duas ilhas ou 
  entre uma ilha e a terra firme.
<F+>
<P>
  Nossa vida anda junto com a floresta.

<R+>
Os ndios do Brasil. Em: Revista *Recreio*. So Paulo, Abril, 2000. p. 16

1 Escolham um grupo indgena que viva ou tenha vivido em seu estado e, em 
grupo, faam uma pesquisa sobre aspectos da sua cultura. Os temas podero ser:
 a) diviso do trabalho e atividades realizadas;
 b) como as crianas aprendem;
 c) festas e rituais;
 d) relao com a natureza;
 e) artesanato.
    Faam desenhos ou colem figuras para ilustrar o seu trabalho.
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

               ::::::::::::::::::::::::

<23>
Para terminar

  Leia os textos a seguir. Eles foram escritos por dois professores indgenas
do Xingu e contam um Pouco como era a vida de seus povos antes de os europeus
invadirem suas terras. 
  O primeiro  de um professor do povo kaiap mekrngotire; o segundo, do 
povo kaiap metykire. Eles adotam o nome de seus povos como sobrenome, 
assim  fcil identificar a que grupo cada um pertence.

Antigamente 

  Antigamente, s vivamos no mato, nunca tnhamos visto as coisas do branco,
como faco, machado, arma de fogo, fumo, panela, sal.
  Antigamente, s usvamos flecha e borduna para matar os bichos para criar 
os nossos filhos.
  Antigamente, nunca tnhamos visto avio, carro, barco, voadeira.
  Antigamente, usvamos cama de buriti, palha de aa e bananeira braba.
  Para dormir, no precisvamos carregar nada como hoje.
  Agora, ns temos que carregar a rede para dormir.

  Anh Mekrngotire

A gente andava com a lua 
  e com as estrelas

  Antigamente, meu povo no conhecia espingarda e nem faca.
  A gente andava no mato, no tinha carro, casa e nem mdico.
  O remdio era extrado da mata.
  Antigamente no tinha lanterna, a gente usava fogo.
  Quando era muito antigamente, a gente andava com a lua e com as estrelas.
<24>
  Depois caiu a chuva, e ns fomos pegar o fogo. 
  Depois fomos cortar folha de palha para fazer casa. 
  Quando meu povo andava, levava fogo para fazer comida no mato, 
milho, para socar no pilo. 
  Depois as mulheres iam no rio pegar gua com folha de bananeira, porque 
antigamente no tinha paneiro, bacia e nem colher.
  A gente fazia colher de pau. 
  Antigamente, meu povo no usava havaiana, bota e nem cala. 
  A pessoa que a gente chama hoje de cacique chamava "Kremoro", ele era 
muito bom para o pessoal.
  E todos ns j morvamos aqui no Xingu. 

Ikum Metykire

<R+>
*Geografia indgena*. So Paulo/Braslia, Instituto Socioambiental/MEC, 1996. p. 12-13

1 De acordo com Anh Mekrngotire:
 a) que coisas do branco seu povo no conhecia?
<P>
 b) o que as pessoas de seu povo faziam para alimentar os filhos?
 c) como era a cama onde eles dormiam?
 
2 Segundo Ikum Metykire:
 a) que coisas seu povo no conhecia e no usava?
 b) como preparavam a comida?
 c) como se tratavam quando ficavam doentes?
 d) com que material construam suas casas?

3 Montem uma pea para representar como os indgenas viviam e o que
mudou na vida deles aps o contato com os europeus.

               ::::::::::::::::::::::::

Para saber mais

livros
 *As aventuras de Iakti, o indiozinho*, de Roberto Amado.
So Paulo, Atual, 1998. 
<P>
 *Histrias de ndio*, de Daniel Munduruku. So Paulo,
Companhia das Letrinhas, 2000.
 *ndio vivo*, de Julyeta Godi. So Paulo, Moderna, 1995.
 *Subida pro cu: mito dos ndios bororo*, de Cia Fittipaldi. 
So Paulo, Melhoramentos, 1996. 

site
 ~,www.olimpianews.com.brfolk~
  folk36~,
<R->

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

<P>
Unidade 2

A Conquista Portuguesa e os
  Primeiros Contatos com os
  ndios do Brasil

<F->
 antes de eu nascer
 de meu pai nascer
 de nascer o pai de meu pai
 e o pai do pai do pai do pai
 de meu pai
 o branco vem roubando
 a terra do ndio.
 tomara que o filho dele
 aceite minha amizade
 e o filho do filho do filho
 do filho do filho do filho
 do filho dele
 tenha uma histria melhor
 pra contar
<F+>

<R+>
Ulisses Tavares. *Viva a poesia viva*.
So Paulo, Saraiva, 1997. p. 79
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<27>
<P>
Para comear

Leia o texto a seguir.

Os 500 anos do Brasil

  (...)
  Em abril deste ano [2000], ocorreram as comemoraes dos 500 anos do descobrimento 
do Brasil. A grande festa foi organizada na Bahia e contou com a presena
dos presidentes do Brasil e de Portugal. (...) As emissoras de TV de 
todo o mundo noticiaram os festejos. Mas nem tudo saiu como o previsto. 
Estudantes, sem-terra, ativistas do movimento negro e lideranas indgenas 
aproveitaram a ocasio para expressar suas crticas ao governo e  sociedade
brasileira. 
  Defensora da ordem, a PM [Polcia Militar] baiana recebeu os manifestantes
com bombas de gs, cassetetes e bloqueios nas principais estradas de acesso 
a Porto Seguro. O que se viu foi uma profuso de cenas de ndios, negros 
e brancos espancados e presos pelos policiais.
  Em meio  missa que relembrava a primeira de 500 anos atrs, um ndio patax
conseguiu fazer um discurso contundente: "Foram 500 anos de sofrimento, massacre,
excluso, preconceito, explorao, extermnio de nossos parentes, aculturamento,
estupro de nossas mulheres e de devastao de nossas terras, de nossas
matas, que nos tomaram com a invaso". Uma verdadeira aula de histria.
  (...)

<R+>
Flavio de Campos. Em: *Folha de S. Paulo*. 7 de novembro de 2000

<28>
1 Procure no dicionrio as palavras do texto que voc no conhece e, depois,
leia-o novamente.

<P>
2 Responda:
 a) De acordo com o texto, qual era o motivo da comemorao?
 b) Por que nem tudo saiu como o previsto nas comemoraes?
 c) O que o ndio patax manifestou em seu discurso?

3 Reflita e discuta com os colegas e o professor: Quais os pontos de
vista apresentados no texto com relao aos 500 anos do Brasil? 
<R->

               oooooooooooo

Em Busca de Lucros

  No sculo XV, os portugueses navegavam pelo oceano Atlntico, realizando 
comrcio em diferentes pontos da costa da frica. Adquiriam artigos 
variados (como ouro, marfim, escravos), que revendiam na Europa a preos 
elevados, obtendo grandes lucros.
  Em 1498, Vasco da Gama contornou a costa do continente africano e chegou
ao Oriente (que chamavam de ndia). Retornou a Portugal com a embarcao 
carregada de especiarias (cravo, pimenta-do-reino, gengibre, noz-moscada), 
artigos de grande interesse dos europeus, que proporcionariam enormes lucros.
  A viagem de Portugal  ndia pelo oceano Atlntico durava meses e era 
repleta de dificuldades. Naquela poca as embarcaes eram movidas a vento. 
Se houvesse uma calmaria, isto , um perodo sem ventos, a esquadra podia 
ficar vrios dias parada em alto-mar. Com isso, a comida e a gua potvel 
iam tornando-se escassas, e muitos viajantes morriam de fome e de sede. 
Alm disso, a comida estragava facilmente e as condies de higiene nas 
embarcaes eram precrias, o que causava muitas doenas nos viajantes.

<P>
<R+>
_`[{gravura de uma caravela. Legenda a seguir_`]
<R->
  Apesar dos problemas enfrentados pelos viajantes, nos sculos XV e XVI as 
caravelas representavam o smbolo do avano tecnolgico dos portugueses, 
pois suas velas podiam ser ajustadas conforme a direo do vento.

  As tempestades tambm traziam conseqncias muitas vezes trgicas: as 
embarcaes das esquadras separavam-se, algumas se perdiam ou mesmo 
afundavam. No havia meios de comunicao, como hoje, entre os navios
ou com a terra. Se um navio se perdia, no havia como reencontr-lo.
  Alm de superar essas dificuldades, os navegantes precisavam vencer 
o medo do desconhecido. O oceano Atlntico havia sido pouco navegado 
e estava cercado de mistrios, sendo chamado de mar Tenebroso.

<R+>
_`[{gravura de uma caravela sendo atacada por monstros. 
Legenda a seguir_`]
<R->
  No sculo XV pensava-se que alm da linha do horizonte existia um grande 
abismo que tragava tudo o que ultrapassasse o seu limite. Alm disso, 
acreditava-se em monstros e seres extraordinrios que devoravam quem se 
atrevesse a navegar no oceano.

<30>
  Fernando Pessoa, poeta portugus nascido no final do sculo XIX,
escreveu estes versos sobre as navegaes do sculo XV: 

Mar portugus

<R+>
 mar salgado, quanto do teu sal
 So lgrimas de Portugal!
 Por te cruzarmos, quantas mes choraram,
 Quantos filhos em vo rezaram!
 Quantas noivas ficaram por casar 
 Para que fosses nosso,  mar!
 Valeu a pena? Tudo vale a pena 
 Se a alma no  pequena.
 Quem quer passar alm do 
  Bojador (1)
 Tem que passar alm da dor.
 Deus ao mar o perigo e o abismo deu
 Mas nele  que espelhou o cu.

Em: Janana Amado e Luiz Carlos Figueiredo. *Medo e vitria nos mares*.
So Paulo, Atual, 1999. p. 29

1 Responda:
 a) Por que o poeta diz que o mar  portugus?
 b) O que as mes, as noivas e os filhos dos navegantes temiam?
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
     (1) Bojador: nome de um 
  cabo no litoral africano. Sua 
  ultrapassagem pelos navegadores
  portugueses abriu o caminho ma-
  rtimo para o Oriente e para as
  riquezas do comrcio indiano. 
  A partir da passagem desse 
  cabo, em 1434, outras desco-
  bertas importantes aconteceram.
<F+>
<P>
 c) "Quem quer passar alm do Bojador/tem que *passar alm da dor*."
A que o poeta se refere no trecho em destaque?

2 Observe as fotos a seguir:

_`[{trs fotos descritas a seguir_`]
<R->
  Foto 1: uma bssola de inveno chinesa.
  Foto 2: um astrolbio.
  Foto 3: mapa da superfcie terrestre feito por Cludio Ptolomeu, em 1482.

     Em grupo, faam uma pesquisa sobre os objetos representados nas fotos. 
Depois, respondam: Qual a importncia deles para as navegaes do sculo XV?

<R+>
3 Se as dificuldades enfrentadas pelos navegantes eram grandes, por que, na 
sua opinio, os viajantes se aventuravam nos mares em direo ao Oriente?
<R->

               ::::::::::::::::::::::::
<P>
Documentando

  O que as pessoas comem e as maneiras como obtm os alimentos podem nos 
dizer muito sobre a histria de uma sociedade em determinado tempo.
  No caso da Europa, s quando conhecemos a importncia das especiarias 
na alimentao  que compreendemos seu valor elevado e os enormes esforos
dos portugueses e outros europeus para chegar ao Oriente pelo caminho 
martimo.
  Na poca das navegaes ainda no existia energia eltrica, portanto 
no havia geladeira nem outras formas de refrigerao. Para 
<32>
conservar, por exemplo, a carne dos animais que eram abatidos no outono para
ser consumida meses depois, era preciso usar conservantes naturais, como as
especiarias e o sal. Alm de conservar, as especiarias disfaravam o sabor 
dos alimentos armazenados durante vrios meses e j um pouco estragados.

<R+>
_`[{foto mostrando algumas especiarias. Legenda a seguir_`]
<R->
  Pimenta, canela, gengibre, cravo, organo, aafro e noz-moscada eram 
as principais especiarias utilizadas na Europa do sculo XV.

  O dilogo imaginrio reproduzido a seguir, entre um comerciante europeu 
do sculo XV e um fornecedor indiano, evidencia que os sacrifcios dos 
europeus em busca das especiarias eram recompensados.

  Indiano: Por que voc vem de to longe para buscar especiarias na ndia?
  Comerciante europeu: Porque posso vend-las por um preo muito mais 
alto l na Europa.
  Indiano: Mas por que os europeus aceitam pagar to caro por elas?
  Comerciante europeu: Porque elas no existem na Europa, so plantas 
ou outros produtos que s nascem em um clima tropical como existe 
por aqui, na ndia.
<33>
  Indiano: Voc disse que vende as especiarias por um preo alto na Europa,
mas o caminho at a ndia  muito longo e perigoso. Mesmo assim vale a pena?
  Comerciante europeu: Meu lucro  to alto que, mesmo tendo que transportar
as mercadorias por um caminho sujeito a riscos, vale a pena minha atividade.
  
<R+>
Em: *Disney Explora. Europa: as grandes navegaes*. 
Coleo 500 anos de Brasil. v. 1. p. 9

1- Nesse texto, o comerciante demonstra que est mais interessado no lucro 
obtido com a venda das especiarias do que preocupado com os perigos que 
pode enfrentar. Na sua opinio, ele  corajoso? Que versos do poema 
*Mar portugus*, na pgina 30, (ver correspondente em braille) fazem referncia a esse sentimento?
 2- Procure especiarias no mercado municipal, nas feiras livres, nos 
sacoles e supermercados de seu municpio e faa uma lista delas. 
Depois, pergunte aos adultos de sua casa para que so utilizadas atualmente.
<R->

               oooooooooooo

Chegam os Primeiros 
  Portugueses

  Em 1500, o governo portugus organizou uma grande esquadra para trazer 
da ndia grande quantidade de especiarias.
  Essa esquadra era formada por 13 embarcaes e uma tripulao de 
aproximadamente 1.500 homens, entre eles navegadores experien-
<P>
tes, intrpretes, degredados (1), marinheiros, religiosos e um grande nmero de soldados. 
Sob o comando de Pedro lvares Cabral, partiram de Lisboa em 9 de maro 
de 1500. Navegando pelo oceano Atlntico, em 22 de abril do mesmo ano 
alcanaram o litoral das terras que, mais tarde, chamariam de Brasil.

<34>
<R+>
_`[{mapa do planisfrio terrestre atual mostrando o caminho
percorrido por Pedro lvares Cabral e sua esquadra, em 1500.
Descrio a seguir_`]
<R->
  A esquadra partiu de Lisboa (Portugal), na Europa, passou
pelas Ilhas Canrias, chegou  atual cidade de Porto Seguro
(Brasil), na Amrica, seguiu para Moambique e Melinde, na
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
     (1) Degredados: pessoas, 
  geralmente criminosos, que fo-
  ram expulsas do pas.
<F+>
<P>
frica, terminando em Cochim e Calicute, na sia.

  Os portugueses aqui chegaram e tomaram posse das terras encontradas, sem 
considerar os indgenas que nelas viviam. Essas terras seriam colnia de 
Portugal -- situao que durou mais de 300 anos. Isso quer dizer que as 
terras e tudo o que havia nelas passaram a pertencer aos portugueses. 
O rei portugus podia us-las como quisesse e explorar seus recursos da 
forma que lhe trouxesse maior lucro.

<R+>
1 Converse com seus colegas e respondam: Na sua opinio, o Brasil foi 
descoberto pelos portugueses? Por qu? 

2 Faam uma dramatizao da chegada dos portugueses s terras onde viviam 
os indgenas e que mais tarde seriam chamadas de Brasil. Para isso:
<P>
 a) Dividam a classe em dois grupos: um representar os indgenas; 
o outro, os portugueses.
 b) Faam a caracterizao das personagens (roupas, enfeites, armas etc.)
e do cenrio (mata, oceano, caravelas etc.).
 c) Imaginem como foi o encontro entre esses dois povos. Pensem, por exemplo,
no que os ndios sentiram ao ver os portugueses pela primeira vez (espanto, 
curiosidade, medo?). E os portugueses, qual foi sua posio em relao 
aos povos que j viviam aqui? A partir disso, montem a pea que iro representar.
<R->

<35>
  A primeira providncia dos portugueses foi tentar descobrir se havia ouro 
e pedras preciosas nas terras encontradas. De incio, no acharam riquezas 
minerais. No entanto, na mata Atlntica, floresta que, no sculo XV, cobria 
uma extensa faixa de terra paralela ao litoral, encontraram o pau-brasil, 
rvore da qual se extraa um corante vermelho muito usado na Europa para tingir tecidos.
  Teve incio ento a explorao do pau-brasil e o desmatamento da mata
Atlntica. Essa madeira foi extrada durante mais de 300 anos e, ao longo
desse tempo, calcula-se que tenham sido derrubadas 70 milhes de rvores.

<R+>
3 Rena-se com seus colegas e observem o mapa a seguir.

_`[{mapa mostrando a rea coberta por Mata Atlntica em 1500
e em 1990. Descrio a seguir_`]
<R->
  Estados cobertos pela Mata Atlntica:
<R+>
 Em 1500 -- todo o estado do ES e partes dos estados: RN, PB,
PE, AL, SE, BA, MG, RJ, SP, PR, SC, RS, MS e GO.
 Em 1990 -- parte dos estados: BA, MG, ES, RJ, SP, PR, SC e MS.
<P> 
 a) No estado onde vocs moram havia mata Atlntica no ano de 1500? E em 1990? 
 b) O que vocs percebem em relao  mata Atlntica?
 c) Faam uma pesquisa para descobrir que outros motivos, alm da 
explorao do pau-brasil, levaram  devastao dessa floresta.

4 Pesquise, em jornais, revistas, livros, Internet, sobre o que se tem 
feito atualmente para conservar o que ainda resta de mata Atlntica em
nosso pas.
<R->

               oooooooooooo

<36>
Encontros e Desencontros Entre
  ndios e Europeus

  Para estudarmos como foram os primeiros contatos entre indgenas e 
portugueses, dispomos basicamente dos relatos e das imagens feitos pelos
povos que aqui chegaram. Assim, ficamos conhecendo o ponto de vista dos 
portugueses, que, ao longo do tempo, passaram a idia de "descobrimento" 
de terras na Amrica e no de conquista. 

<R+>
_`[{foto da carta de Pero Vaz de Caminha. Legenda a seguir_`]
<R->
  Pero Vaz de Caminha, escrivo da esquadra de Cabral, escreveu uma longa 
carta ao rei de Portugal contando como era a terra que haviam encontrado.
Na foto, uma das pginas da carta de Caminha, o primeiro documento da 
histria do Brasil.
  
<R+>
1 Procure no dicionrio o significado das palavras *descobrir* e *conquistar*
e anote no caderno.
<R->

  Os primeiros contatos entre ndios e portugueses foram amistosos, marcados
pela curiosidade de ambas as partes. Logo que aqui chegaram, os portugueses 
tentaram fazer amizade com os indgenas, trocando presentes com eles.
  No entanto, quando os indgenas perceberam que os portugueses queriam 
domin-los, teve incio o conflito entre eles. Um conflito que levou  
dizimao de muitos povos indgenas. 
  Embora fossem muito mais numerosos, os ndios foram submetidos pelos 
portugueses, que possuam armas de fogo, muito mais poderosas que seus 
tacapes, arcos e flechas.
  Para tentar resistir ao invasor, diversos grupos indgenas comearam
a se unir. No entanto, as grandes diferenas entre eles e as enormes
distncias geogrficas que os separavam dificultaram essa unio.

<37>
<R+>
_`[{desenho feito por um ndio. Legenda a seguir_`]
<R->
  Reproduo de desenho feito pelo ndio Oprxowi, mostrando indgenas
lutando contra os invasores portugueses.

  Aproveitando-se das divergncias entre os prprios grupos indgenas, os
portugueses aliaram-se a alguns grupos para lutar contra outros.
  Desde o incio da ocupao, por volta de 1530, os colonos portugueses 
e seus descendentes, assim como os padres jesutas (1), tiveram intensos 
contatos com os povos indgenas que aqui viviam.
  Os colonos queriam escravizar os ndios, tomando suas terras e submetendo-os.
J os jesutas pretendiam convert-los  f catlica, que era a religio oficial
de Portugal naquela poca. Embora tivessem propsitos diferentes, tanto os 
colonos quanto os jesutas consideravam a cultura indgena inferior  
europia, e a ao 
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
     (1) Jesutas: membros de
  uma ordem religiosa chamada 
  Companhia de Jesus, enviados
  para o Brasil pelo rei de 
  Portugal a fim de catequizar
  os ndios.
<F+>
<P>
de ambos modificou muito o modo de vida dos ndios.

<R+>
_`[{foto de um jesuta. Legenda a seguir_`]
<R->
  Jesuta em aldeia indgena. Reproduo da obra *Aldeia dos tapuias*, 
de Rugendas, feita em cerca de 1835.

  Para alcanar seus objetivos, os jesutas fundaram escolas e organizaram
aldeamentos, onde eram ensinadas aos ndios a religio catlica, as tcnicas
europias de trabalho agrcola e a lngua portuguesa.
  Esses padres eram contra a escravizao dos indgenas. Por isso, fundaram 
esses aldeamentos, tambm chamados de redues, em reas afastadas dos 
colonos -- que normalmente ficavam prximos do litoral. Assim, 
<38>
os jesutas foram os primeiros europeus que rumaram ao interior do territrio
conquistado. Muitas vezes, as escolas e os aldeamentos deram origem a 
cidades, como por exemplo So Paulo. Mesmo afastados, porm, os aldeamentos dos
jesutas despertaram a cobia dos bandeirantes paulistas. 

               ::::::::::::::::::::::::

Conhecendo melhor as palavras

  Os bandeirantes eram homens que entravam nas matas em direo ao interior 
em grandes grupos -- chamados de bandeiras. Entre outras coisas, buscavam 
metais preciosos e ndios, que aprisionavam e vendiam como escravos aos 
colonos do litoral. 
  Considerando mais lucrativo aprisionar ndios que j tivessem a experincia
de trabalhar com os jesutas, em vez de "caar" os nativos que viviam em suas
prprias aldeias, durante o sculo XVII os bandeirantes atacaram muitas 
redues, capturando cerca de 30 mil ndios. 
  Diante desses ataques, os jesutas conseguiram autorizao do rei de 
Portugal para armar os guaranis, povo indgena mais numeroso a viver em 
redues. Armados, os guaranis conseguiram enfrentar e expulsar os 
bandeirantes dos aldeamentos em 1641. Nessa poca, as redues passaram 
a ser chamadas de misses (2).

<R+>
1- Observe a imagem a seguir e responda: Que mudanas na cultura dos ndios
podemos perceber? 

_`[{pintura mostrando um ndio trajando uniforme e duas ndias
usando blusas, brincos, colares e fitas com penas e flores nos 
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
     (2) Misses: reunio de
  povos indgenas feita pelos 
  jesutas, em que os ndios 
  eram obrigados a abandonar os
  hbitos e costumes de suas cul-
  turas originais.
<F+>
<P>
cabelos. Legenda a seguir_`]
<R->
  Reproduo de pintura feita por Debret, no sculo XIX, representando 
ndios guaranis. 

<R+>
2- Por que os bandeirantes preferiam aprisionar os ndios das misses 
aos ndios das aldeias?

<39>
 2 Em que os colonos e os jesutas portugueses divergiam e em que
concordavam a respeito dos ndios?
 3 Que fizeram os jesutas para impedir a escravido dos ndios? Que
conseqncias isso teve para a cultura indgena?
<R->

  Embora no fossem escravizados, os ndios das misses tiveram de
abandonar boa parte de seus costumes e de sua cultura. Leia o texto a seguir.

  Nas misses havia abundncia de trigo, milho, mandioca, erva-mate, 
algodo, gado, frutas e legumes. A atividade econmica era ao mesmo tempo 
livre e dirigida: livre, porque os prprios nativos cuidavam das 
plantaes e da criao de animais que necessitavam para sobreviver; 
e dirigida, porque os caciques e os jesutas cuidavam da produo e da 
armazenagem de excedentes (3), para consumo posterior ou para comercializao. 
A produo vendida no mercado interno colonial gerava recursos para o 
pagamento dos tributos reais (4) e para a compra de bens que a 
comunidade no produzia.

<R+>
Jlio Quevedo. *A Guerra Guarantica*. So Paulo, tica, 1996. p. 12

4 Em seu caderno, copie os itens abaixo, separando-os em duas co-
<F->
::::::::::::::::::::::::::::::::::
     (3) Excedentes: o que 
  sobra.
     (4) Tributos reais: im-
  postos pagos ao rei de Por-
  tugal.
<F+>
  lunas. Na primeira, escreva os costumes indgenas antes do contato 
com os europeus; na segunda, anote as caractersticas do trabalho nas misses.
 Plantar e extrair da natureza somente o suficiente para viver.
 Produzir excedentes, que podiam ser estocados ou comercializados.
 Ser livre para viver onde e como quisesse.
 Ser obrigado a viver e trabalhar em lugar determinado e pagar impostos.
 Viver somente com o que era capaz de produzir ou de extrair da natureza.
 Comprar bens que no produzia.
<R->

<40>
<R+>
5 Pegue uma folha de papel sulfite e trace um fio, dividindo-a em duas partes.
De um lado, desenhe os ndios ou alguma caracterstica do seu modo de vida 
(trabalho, moradia, religio, modo como aprendiam etc.) antes da chegada 
dos europeus. Do outro, desenhe o que mudou depois que foram submetidos aos 
costumes europeus. Fixe seu trabalho no mural da sala de aula e observe o 
desenho dos colegas.
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

               oooooooooooo

Onde Esto os ndios Hoje?

  Aps a chegada dos portugueses, a populao indgena foi diminuindo e, 
dos milhes que existiam no sculo XVI, hoje restam somente cerca de
350 mil, que falam por volta de 180 idiomas diferentes e totalizam
aproximadamente 215 povos indgenas. 
  Ao longo dos 500 anos da histria de ocupao do territrio e conquista 
dos povos indgenas, muitas naes foram mortas em lutas ou por doenas 
trazidas pelos europeus. At hoje, doenas consideradas pouco graves, como
a gripe e a catapora, podem matar grupos indgenas inteiros. Isso acontece 
porque, como os ndios nunca tiveram contato com doenas desse tipo, o 
organismo deles no est preparado para enfrent-las.
  Outros povos desapareceram porque seus membros foram obrigados a se 
integrar  sociedade e  cultura dos invasores, abandonando sua terra, 
sua lngua, seus costumes, suas crenas e seus valores. Esse processo  
chamado de aculturao. 
  Ainda hoje, povos indgenas so expulsos de suas terras para a explorao
de recursos vegetais ou minerais ou para a construo de grandes obras, como
as hidreltricas, por exemplo. Quando ocorrem essas mudanas culturais e 
territoriais, muitas vezes os povos indgenas no conseguem se manter 
organizados, pois so mandados para lugares onde no h como sobre-
<P>
viver ou praticar seu modo de 
 vida.

<41>
<R+>
_`[{mapa do Brasil destacando a atual localizao de alguns povos
indgenas no territrio brasileiro. Relao a seguir_`]
<R->
  1- Maku, baniwa e tukano: Parte do estado do Amazonas.
  2.1- Makuxi e wapixana: Parte do estado de Roraima.
  2.2- Ianommi e waimiri atroari: Parte dos estados de
Roraima e Amazonas.
  3- Galibi marworno, xereu e tiriy: Todo o estado do Amap
e parte dos estados do Par e Amazonas. 
  4- Ticuna: Parte do estado do Amazonas.
  5- Matses (mayoruna): Parte dos estados do Amazonas e Acre.
  6- Deni kulina e apurin: Parte dos estados do Amazonas e
Rondnia.
  7- Sater maw e munduruku: Parte dos estados do Amazonas,
Par, Rondnia e Mato Grosso.
  8- Kayap e parakan: Parte dos estados do Par, Tocantins,
Maranho e Mato Grosso.
  9- Potiguara, pankararu e xukuru: Todo o estado do Rio
Grande do Norte, Paraba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe e
parte dos estados do Piau, Cear e Bahia.
  10- Kaxinawa e nukini: Parte dos estados do Acre e Amazonas.
  11- Paka nova (wari) e suru paiter: Parte dos estados do Acre,
Amazonas, Rondnia e Mato Grosso.
  12- Nambikwara: Parte dos estados do Amazonas, Rondnia,
Mato Grosso e Par.
  13- Kayabi e kalapalo: Parte dos estados do Par, Mato
Grosso e Gois.
  14- Guajajara, krah e xerente: Parte dos estados do Par,
Maranho, Piau, Bahia, Minas Gerais, Gois e Tocantins.
  15- Xavante e bororo: Parte dos estados do Mato Grosso e
Gois.
  16- Krenak e patax: Todo o estado do Esprito Santo e 
parte dos estados da Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
  17- Guarani nndeva e terena: Parte dos estados do Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul, Gois, Minas Gerais, So Paulo e Paran.
  18- Kaingang: Todo o estado do Paran e Santa Catarina e
parte dos estados do Mato Grosso do Sul, So Paulo, Minas
Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

<42>
<P>
<F->
*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?
  Figura: foto de uma reserva  o
  indgena xavante no Mato     o
  Grosso.                      o
    Legenda: As reservas so  o
  reas reconhecidas pelo go-   o
  verno do pas como sendo de   o
  posse dos indgenas, devendo  o
  oferecer os meios necess-    o
  rios para sua subsistncia.   o
  Na foto, reserva indgena    o
  xavante no Mato Grosso.     o
eieieieieieieieieieieieieieieieiei
<F+>

  Atualmente, a maioria dos indgenas vive em reas localizadas no 
interior do pas, mas h tambm grupos que conseguiram se manter em 
suas terras de origem e hoje vivem prximo de grandes centros urbanos.
Os guaranis, por exemplo, que mantm contato com os brancos desde a
chegada dos europeus no incio do sculo XVI, vivem em diversas reas
do Brasil, desde o Rio Grande do Sul at o norte do pas.
  Existem tambm grupos indgenas que, ao longo dos anos, no tiveram
qualquer contato com pessoas de outras etnias e mantm-se praticamente
isolados at hoje -- como alguns povos indgenas da Amaznia.

<F->
*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?
  Figura: foto de crianas     o
  indgenas brincando.          o
    Legenda: Crianas em al-  o
  deia guarani no municpio     o
  de So Paulo.               o
eieieieieieieieieieieieieieieieiei
<F+>

<R+>
1 Procure em jornais e revistas matrias atuais sobre os indgenas e
cole-as no caderno.
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

               ::::::::::::::::::::::::

<43>
<P>
Para terminar

  Quando tiveram contato uns com os outros, europeus e indgenas comearam
a perceber as diferenas entre eles. Leia o texto a seguir, escrito pelo 
francs Jean de Lry em 1578. 

  (...)
  Os nossos tupinambs muito se admiram do trabalho a que se do os europeus para a posse do arabutan (1). 
Uma vez um velho indio perguntou-me:
  -- Que significa isto de virdes vs outros (...) buscar to longe lenha 
para vos aquecer? No a tendes por l em vossa terra?
  Respondi que tnhamos lenha, e muita, mas no daquelle pau, e que no o
queimavamos, como elle suppunha, mas delle extrahiamos tinta para tingir.
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
     (1) Arabutan: palavra da 
  lngua tupi que significa 
  pau-brasil.
<F+>
  Retrucou o velho:
  -- E por ventura precisaes de tanto pau-brasil?
  -- Sim respondi, pois em nosso paiz existem negociantes que teem mais 
pannos, facas, tesouras, espelhos e mais coisas do que vs aqui podeis 
suppor, e um s delles compra todo o pau-brasil com que muitos navios
voltam carregados.
  -- Mas esse homem to rico no morre?
  -- Sim, morre como os outros.
  -- E quando morre para quem fica o que  delle?
  -- Para seus filhos, se os tem, e na falta, para os irmos ou parentes proximos.
  -- Na verdade, continuou o velho, que era nada tolo, agora vejo que vs (...)
sois uns grandes loucos, pois que atravessaes o mar com 
<44>
grandes incommodos, como dizeis, e trabalhaes tanto afim de amontoardes 
riquezas para os filhos ou parentes! A terra que vos alimentou no  
sufficiente para alimental-os a elles? Ns aqui tambem temos filhos, 
a quem amamos, mas como estamos certos de que aps nossa morte a terra 
que nos nutriu os nutrir tambm, c descansamos sem o minimo cuidado.
  (...)

<R+>
Jean de Lry. *Histria de uma viagem  terra do Brasil*. 
Rio de Janeiro/So Paulo, Nacional, 1926. p. 130-131

1 Procure no dicionrio as palavras do texto que voc no conhece e 
leia-o novamente. Depois, responda: 
 a) Quem  o autor do texto?
 b) Qual o ttulo da obra em que se encontra o texto acima?
 c) Em que ano ela foi escrita?

2 Quais as diferenas no modo de pensar dos indgenas e dos europeus quanto:
 a) ao trabalho?
 b)  relao com a natureza?
 c) ao acmulo de riquezas?
<P>
3 Em uma folha avulsa, desenhe a herana que o europeu promete deixar aos 
filhos. Em outra folha, faa um desenho da herana que o ndio deixa aos 
seus descendentes.
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

               ::::::::::::::::::::::::

<R+>
Para saber mais

livros
 *A carta de Pero Vaz de Caminha (para crianas)*, de Toni
Brando. So Paulo, Studio Nobel, 1999.
 *Juntos na aldeia*, de Lus Donizete B. Grupioni. So
Paulo, Berlendis & Vertecchia Editores, 1997.
<P>
 *Viagem ao mundo indgena*, de Lus Donizete B. Grupioni.
So Paulo, Berlendis & Vertecchia Editores, 1997.
<R->

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

<P>
Unidade 3

Trabalho, Sociedade e Produo
  no Brasil Colonial

  O negro foi o grande povoador do Brasil. Foi principalmente atravs do trabalho
de homens, mulheres e crianas africanas e de seus descendentes que se produziram
o caf, se conduziram as tropas, se prepararam os alimentos e realizaram os vrios
servios domsticos, se construram (...) os engenhos (...), as cidades (...),
ou seja, tudo, ou quase tudo, que existiu e existe no Brasil.

<R+>
Eduardo C. Pereira e Maria Lcia Mott. *No tempo da escravido no Brasil*.
So Paulo, Scipione, 1996. p. 45 
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<46>
<P>
Para comear

  Leia o texto a seguir.

O Brasil moreno 
 
  Em um lugar, que j no recordo o nome, estvamos abastecendo o carro, 
quando D. Luzia chegou com um menino no brao.
  -- Olha que belezinha eu comprei. 
  -- Voc o qu? -- Meu av nem entendeu direito. 
  -- Eu comprei. Veja que belezinha de menino (...).
  Meu av deu um grito: 
  -- Voc  louca mesmo. V devolv-lo, imediatamente! 
  Quando olhamos ao redor, vimos uma mulher andando rpido, acompanhada 
de outros meninos, todos descalos. 
  -- Mas por qu? Eu paguei! -- Reagiu D. Luzia.
  -- Ningum compra ningum. A escravido j acabou.  imoral.
  -- Mas ele  to lindo! 
  --  muito lindo, mas voc vai devolv-lo j. 
  Quando ns olhamos, a me havia desaparecido por trs do mato.
Meu av (...) perguntou ao homem do posto onde morava aquela mulher.
Ele respondeu que no sabia, mas que ela vinha todos os dias para pedir 
esmola naquele lugar. Se a gente esperasse, ela voltaria. 
  (...) 
  -- Olhe. Eu no acho nada demais comprar uma pessoa [disse D. Luzia]. Eu 
acho errado  maltratar. O senhor, por acaso, sabe o que vai ser desta 
criana se ela ficar por aqui? Aquela mulher no tem dinheiro para cuidar 
deste menino nem dos outros. Eu vou lev-lo e ele vai ter uma vida 
decente. (...) Ele no  uma fofura? -- Ficou falando com sua nova compra, 
como se falasse com um boneco (...). 

<R+>
Cristovam Buarque. *O tesouro na rua: uma aventura pelos 500 anos da 
histria econmica do Brasil*. Rio de Janeiro, Record/Rosa dos Ventos, 
2000. p. 81-82 

<47>
1 Faam uma dramatizao do texto, seguindo as orientaes abaixo:
 a) Leiam o texto coletivamente e conversem sobre ele, identificando o
assunto tratado, as personagens e as relaes entre elas.
 b) Determinem quais alunos sero responsveis pela caracterizao das
personagens e do cenrio, quais iro representar as personagens, quais 
ficaro responsveis pela direo dos ensaios etc. 

2 "Ningum compra ningum. A escravido j acabou.  imoral." Voc concorda
com essas afirmaes? Explique. 

<P>
3 Nas unidades 3 e 4 estudaremos as principais atividades econmicas realizadas 
no Brasil desde a chegada dos portugueses at os dias de hoje. Para ajud-lo
a entender a importncia da mo-de-obra africana nessas atividades, faa 
uma tabela como a seguinte no caderno e v anotando os tipos de trabalho 
realizados pelos escravos africanos no campo e na cidade. 
<R->

Tipos de trabalho realizados 
  por escravos africanos

<F->
!:::::::::::::::::
l  campo: .....   _
l  cidade: .....  _
h:::::::::::::::::j
<F+>

               oooooooooooo

<P>
ndios e Europeus na Explorao
  do Pau-Brasil

  O primeiro produto que os portugueses exploraram economicamente das terras 
que encontraram na Amrica foi o pau-brasil. Antes eles compravam essa 
madeira no Oriente. Aqui, extraam a madeira sem nada pagar. O pau-brasil 
existia em grande quantidade na mata Atlntica, que cobria quase todo o 
litoral do atual territrio brasileiro.
  Os portugueses comearam a explorar o pau-brasil a partir dos primeiros 
anos do sculo XVI, por meio de um sistema chamado *escambo*, que consistia
na troca de trabalho por mercadorias ou de uma mercadoria por outra de valor
inferior. Os indgenas cortavam as rvores e transportavam 
<48>
as toras at os navios. Em troca, recebiam dos portugueses pedaos de tecidos,
espelhos e, s vezes, facas e canivetes. Para os portugueses eram objetos de 
pouco valor, mas os indgenas, que no os conheciam, tinham grande interesse 
por eles. 

1 Observe o mapa e responda:

<F->
*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?
  Figura: um antigo mapa do    o
  Brasil. Nele h uma ilus-   o
  trao onde aparece um ca-    o
  sal de indgenas: o homem     o
  est cortando rvores e a     o
  mulher amamenta uma criana.  o
    Legenda: Reproduo de    o
  detalhe de mapa feito no s-  o
  culo XVI.                   o
eieieieieieieieieieieieieieieieiei
<F+>

<R+>
 a) Quando esse mapa foi feito?
 b) O que est representado nele?
 c) Na sua opinio, ele  um documento histrico? Por qu?

2 Explorando o pau-brasil pelo sistema de escambo, os portugueses podiam 
obter grandes lucros. 
<P>
  Voc concorda com essa afirmao? Explique.
<R->

  Pela colaborao inicial, percebe-se que muitos indgenas se mostraram 
amigveis com os portugueses. Houve grupos, no entanto, que se afastaram 
do litoral e rumaram para o interior, evitando contato com os europeus --
uma das inmeras formas de resistncia indgena contra a invaso e a 
dominao dos brancos.
<49>
  O interesse econmico pelo pau-brasil na Europa fez com que os portugueses 
explorassem o produto em quantidades cada vez maiores. No incio do 
sculo XVI, o rei de Portugal mandou construir feitorias, que eram armazns
fortificados para guardar a madeira extrada pelos indgenas. Com o tempo, 
porm, os ndios comearam a se recusar a trabalhar, pois a "troca" j no 
lhes interessava, uma vez que os objetos deixaram de ser desconhecidos. O 
escambo ento acabou sendo abandonado pelos portugueses, que, em muitas 
regies do litoral, comearam a escravizar os ndios. 
  A explorao do pau-brasil continuou at o incio do sculo XVII, 
aproximadamente. No entanto, essa atividade no despertou o interesse
do governo portugus em povoar as terras encontradas. 

<R+>
_`[{foto de uma escultura. Legenda a seguir_`]
  Na foto, detalhe de madeira esculpida em baixo-relevo, de cerca de 1530, 
mostrando indgenas entregando pau-brasil para europeus.

3 Junto com seus colegas, procurem saber se  possvel obter mudas de 
pau-brasil no municpio onde moram. Caso consigam, com a ajuda do 
professor, plantem uma muda no terreno da escola. 
<R->

               oooooooooooo

Comea a Colonizao do Brasil

  O lucrativo comrcio de pau-brasil e a possibilidade de explorar outras
riquezas atraram o interesse de alguns europeus pelo Brasil -- colnia 
de Portugal. Percebendo os riscos de perder suas terras, o rei de Portugal,
por volta de 1530, decidiu ocup-las e explor-las economicamente, iniciando
a colonizao efetiva do Brasil. Com esse objetivo, vieram para c colonizadores
portugueses que haviam recebido do rei lotes de terra -- as *capitanias*.

               ::::::::::::::::::::::::

<50>
Conhecendo melhor as palavras

  No incio da colonizao o rei de Portugal dispunha de pouca fora militar 
e recursos econmicos para enviar ao Brasil. Ento, promoveu a diviso da 
terra em 15 grandes lotes, chamados de *capitanias*, e doou-as a nobres 
portugueses, os capites-donatrios.

<R+>
_`[{mapa do Brasil dividido pelo Meridiano de Tordesilhas, destacando do
lado direito as capitanias hereditrias com suas cidades e vilas. Relao
a seguir_`]
<R->
  Par;
  Maranho;
  Piau;
  Rio Grande;
  Itamarac -- Vila do Cosme;
  Pernambuco (uma das capitanias que mais progrediu) -- cidade: Olinda;
  Bahia de Todos os Santos -- cidade: Salvador
  Ilhus -- cidade: So Jorge dos Ilhus;
  Porto Seguro -- cidades: Santa Cruz e Porto Seguro;
  Esprito Santo -- cidade: Esprito Santo;
  So Tom -- Vila da Rainha;
  Rio de Janeiro;
  Santo Amaro -- cidade: Santos.
  So Vicente (uma das capitanias que mais progrediu) -- cidade: So Vicente;
  Santana -- Ilha de Santa Catarina.

<51>
  Apesar de dever obedincia ao rei de Portugal, os capites-donatrios 
tinham todo o poder em suas capitanias. Podiam explorar e dividir as terras 
em lotes menores para serem doados, recolher impostos, aplicar a justia etc.
  Em troca, assumiam a obrigao de defender a terra contra os invasores
europeus e os indgenas que no aceitavam a conquista estrangeira.
Tinham tambm de explorar as terras com atividades lucrativas.
  Muitos donatrios, no entanto, nem chegaram a tomar posse de suas 
capitanias. Outros no conseguiram faz-las prosperar, pois para isso eram 
necessrios muitos recursos econmicos.
  Os colonos dedicaram-se inicialmente s atividades agrcolas. O produto 
escolhido para ser cultivado com fins comerciais foi a cana-de-acar. Por 
que a cana-de-acar? Naquela poca, o acar, feito a partir da cana, era 
um produto valioso. Ele era pouco produzido e usado como energtico, 
estimulante e para prevenir doenas pulmonares e da garganta.
  O acar era vendido em boticas, as farmcias daquela poca, e s podia
ser adquirido em pequenas quantidades. Apenas as pessoas que possuam
muito dinheiro conseguiam compr-lo. De to caro, nobres e reis, por exemplo,
deixavam o acar que possuam de herana a seus descendentes.

<R+>
1 Responda:
 a) Qual a utilidade do acar hoje?
<P>
 b) Por que ele no  mais um produto valioso?
<R->

  Para o cultivo da cana-de-acar, a colnia apresentava condies naturais 
favorveis, como o clima quente, a boa quantidade de chuvas e o tipo de solo.
  Alm do valor comercial do acar e das condies favorveis do Brasil 
para a cultura da cana, os portugueses consideraram tambm a experincia que tinham no cultivo 
<52>
desse produto. Eles j plantavam cana na ilha da Madeira e no arquiplago 
dos Aores -- colnias portuguesas localizadas no oceano Atlntico.
  O cultivo da cana e a produo do acar eram feitos em grandes propriedades
chamadas engenho.
  O primeiro engenho de acar do Brasil foi construdo na capitania de So 
Vicente, em 1532. Por volta de 1560 j havia mais de 60 engenhos na colnia.
  No sistema de capitanias, as que mais se destacaram foram So Vicente e 
Pernambuco, onde se desenvolveu a produo de acar.

<R+>
_`[{gravura de plantas brasileiras. Legenda a seguir_`]
<R->
  Reproduo de detalhe de desenho de Johann Nieuhof, sculo XVII, retratando,
entre plantas nativas brasileiras, a cana-de-acar, que foi trazida para
o Brasil pelos portugueses.

<R+>
2 Por que o produto escolhido para ser cultivado no Brasil foi a cana-de-acar?
 3 Faa uma pesquisa em livros e enciclopdias para saber como se chama o 
local onde o acar  produzido hoje. 
<R->

  Para garantir seus lucros, o rei portugus definiu as relaes comerciais
entre Brasil (colnia) e Portugal (metrpole). Os colonos s poderiam vender
seus produtos aos comerciantes portugueses. Eram obrigados tambm a
comprar somente deles os artigos de que necessitavam. O governo de Portugal 
(a metrpole) detinha ento exclusividade comercial de sua colnia. Dessa 
forma, os portugueses garantiam os lucros, pois vendiam os produtos a preos
elevados e adquiriam os produtos coloniais por preos os mais baixos possvel.

<R+>
_`[{foto antiga mostrando grande movimentao de barcos prximo a dois
povoados. Legenda a seguir_`]
<R->
  O cultivo da cana e a produo do acar em regies prximas ao litoral 
facilitavam o transporte do produto para a Europa em navios. Os portos 
dessas regies tinham grande movimento de embarcaes, como se pode ver 
na reproduo da obra *Povoado de Recife e vila de Olinda*, de 1630.

<53>
<R+>
4 Responda oralmente:
 a) A quem os colonos podiam vender seus produtos? E de quem eles podiam 
comprar?
 b) Como eram os preos dos produtos coloniais? E dos produtos metropolitanos?
     Agora, discuta com os colegas: Como voc definiria a relao comercial
entre Brasil e Portugal durante o perodo colonial? 

 5 Faa um desenho representando a relao comercial entre Brasil (colnia) 
e Portugal (metrpole).
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

               oooooooooooo

De Onde Vieram os Escravos 
  Negros?

  Para realizar o trabalho necessrio ao cultivo da cana e  produo de 
acar, os portugueses utilizaram inicialmente a mo-de-obra indgena.
Eles os aprisionavam e os escravizavam.
  Contudo, desde meados do sculo XVI at o final do sculo XIX, a maior 
parte do trabalho no Brasil foi feita por escravos negros.
  Milhes de homens, mulheres e crianas foram trazidos como cativos (1) 
para o Brasil, depois de serem trocados por mercadorias na frica. Esse 
tambm era um comrcio lucrativo para o governo de Portugal. Tendo isso 
em vista, os portugueses substituram os escravos indgenas por escravos 
negros. A escravido indgena continuou a existir, porm em menor escala.
  De todo o continente americano, o Brasil foi a regio que mais recebeu 
escravos africanos.
<54>
  Veja no mapa a seguir de onde provinham os escravos que foram trazidos 
para o Brasil.
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
      (1) Cativos: presos, sem 
  liberdade.
<F+>
<R+>
_`[{mapa do planisfrio terrestre mostrando a origem e o destino dos escravos
(sculo XVI -- XIX). Descrio a seguir_`]
<R->
  Sudaneses: Uns saam de Cabo Verde (frica) e eram levados para So Lus e
Olinda (Brasil -- Amrica do Sul); outros partiam de So Jorge da Mina e Costa
dos Escravos (frica) e eram levados para Olinda e Salvador (Brasil-Amrica
do Sul).
  Bantos: Uns saam de Benguela (frica) e eram levados para Salvador e Rio
de Janeiro (Brasil -- Amrica do Sul); outros partiam de Mombaa e Moambique
(frica) e eram levados para o Rio de Janeiro.

  Os africanos trazidos para o Brasil como escravos eram, principalmente, de 
duas etnias: bantos e sudaneses. Esses grupos dividiam-se em vrios outros e 
tinham lnguas, crenas e costumes diferentes entre si.
  Em sua terra, os bantos praticavam a agricultura e a pecuria. J os
sudaneses, alm dessas atividades, trabalhavam com tecelagem e metais, 
principalmente ouro e bronze.

<F->
!:::::::::::::::::::::::::::::
l  Como esses homens, essas  _
l  mulheres e essas crianas  _
l  tornavam-se escravos?      _
h:::::::::::::::::::::::::::::j
<F+>

  Os europeus ajudavam a promover guerras entre os diferentes povos africanos
e, depois, trocavam os homens que haviam sido derrotados e suas famlias por 
mercadorias. Essas pessoas eram enviadas a feitorias, localizadas na costa da
frica, onde permaneciam at a chegada das embarcaes que as levariam para o
outro lado do oceano Atlntico.
  Antes de embarcar, muitas delas eram marcadas com ferro em brasa, significando
que a partir daquele momento tinham um dono. 
  Nos navios, essas pessoas eram colocadas nos pores, onde faltava ar, luz 
e comida. Alm disso, os escravos que se rebelavam recebiam castigos fsicos.
Muitos deles morriam durante a viagem.

<R+>
_`[{foto mostrando o poro de um navio negreiro. Legenda a seguir_`]
<R->
  Reproduo da obra *Negros no fundo do poro*, de Rugendas, feita em
cerca de 1835, mostrando como os negros eram transportados nos navios 
negreiros ou navios tumbeiros.

<R+>
1 Procure no dicionrio o significado da palavra *tumba*. Depois, reflita e
responda: Por que os navios que traziam os escravos eram chamados de tumbeiros?
<R->

  Chegando ao Brasil, os escravos eram levados para locais onde seriam
vendidos para seus futuros senhores, a quem deveriam servir e respeitar.

<R+>
_`[{foto da reproduo da obra *Mercado de escravos*, de Rugendas, 
cerca de 1835_`]

<56>
2 O que podemos comprar em um mercado?
 3 Junte-se com seus colegas e leiam o trecho de um anncio retirado
de um jornal brasileiro do sculo XIX:
<R->

<P>
<F->
!::::::::::::::::::::::::::::::::
l  Excellente escravo           _
l                                _
l    Vende-se um creoulo de     _
l  22 annos, sem vicio e muito  _
l  fiel (...). Faz todo o     _
l  servio de arranjo de casa    _
l  com presteza, e  o melhor    _
l  trabalhador de raa que se    _
l  pde desejar: humilde, obe-   _
l  diente e bonita figura.       _
l  Para tratar na ladeira de    _
l  S. Francisco n.o 4.        _
l                                _
l  Em: Chico Alencar e ou-    _
l    tros. *Brasil vivo*.       _
l    Petrpolis, Vozes,        _
l    1986. p. 126              _
h::::::::::::::::::::::::::::::::j
<F+>

     O que se pode concluir sobre o modo como os escravos eram vistos
e tratados nessa poca?
<R+>
 4 Pesquise em livros e enciclopdias as influncias africanas na cultura
brasileira. Em uma folha avulsa, faa desenhos para representar essas 
influncias e, depois, fixe seu trabalho no mural da sala de aula.
     Observe tambm o desenho de seus colegas.
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

               oooooooooooo

Vida e Trabalho nos Engenhos

  A maior parte dos escravos era levada para trabalhar nos engenhos de acar.
  Os proprietrios dos engenhos eram conhecidos como senhores de engenho. 
Muitos deles se tornaram ricos e poderosos. Possuam terras, inmeros 
escravos e controlavam no s sua famlia, mas tambm as famlias dos 
trabalhadores livres que viviam em suas propriedades.
  Os engenhos eram formados pelos canaviais (reas onde se plantava a 
cana-de-acar), pela casa-grande (residncia do senhor de engenho e de sua 
famlia), pela capela e pela senzala (moradia dos escravos negros). Alm 
disso, havia as instalaes onde o acar era produzido: a casa de moer, 
a casa das fornalhas e a casa de purgar. 
<57>
  A casa-grande, sede do engenho, era uma construo espaosa, com muitos quartos para
acomodar a famlia do senhor. Na cozinha, o fogo era a lenha. O banheiro era fora da casa.
<58>
  As mulheres -- esposa e filhas dos senhores -- podiam circular por toda a 
casa somente quando no havia estranhos. Caso tivessem visitas, principalmente 
homens, elas eram obrigadas a se retirar para seus quartos.

<R+>
1 Como era a vida da mulher na sociedade aucareira, isto , no engenho?
E hoje? Compare o pa-
<P>
  pel da mulher na sociedade nesses dois momentos.
<R->

  A senzala era um barraco de paredes de barro, com alguns buracos para 
ventilao, e cobertura de sap.
  Nela, em geral, os escravos eram separados por sexo: em uma parte do 
barraco ficavam os homens; em outra, as mulheres. s vezes, havia tambm 
pequenos cmodos para os escravos casados. Mas muitas famlias foram 
separadas, pois mulher, marido, filhos, irmos podiam ser comprados por 
diferentes senhores.
  Em domingos e dias santos, reuniam-se na capela a famlia do senhor e 
outros brancos que viviam na propriedade, como alguns homens livres, que 
recebiam salrio por seu trabalho, e suas famlias. Nela eram realizados 
batizados, casamentos e enterros, entre outras cerimnias religiosas.

<P>
<R+>
_`[{foto de um engenho. Legenda a seguir_`]
<R->
  Na reproduo da obra do pintor Frans Post, feita no sculo XVII, vemos o
engenho em destaque. No alto est a casa-grande ( esquerda) e a capela
( direita). Ao fundo,  esquerda, est a senzala.

<59>
<R+>
2 Baseando-se nas informaes do texto, discuta com os colegas: Na sua 
opinio, os negros escravizados tinham dificuldades em constituir famlias? 
Por qu? Depois, escreva um texto mencionando os aspectos discutidos e as 
concluses.
 3 Faa uma pesquisa em livros e enciclopdias sobre as crenas religiosas
praticadas pelos escravos negros. Lembre-se de que muitas delas exerceram 
influncia em nossa cultura.
<R->

  Os engenhos ficavam distantes uns dos outros, e as pessoas utilizavam
animais -- cavalos, burros e bois -- e carroas como meios de transporte.
Assim, a maior parte dos encontros acontecia em festas religiosas ou familiares.
  Praticamente no havia escolas para os filhos dos colonos. As crianas de 
famlias mais ricas eram ensinadas em casa por professores particulares -- 
homens que, nascidos em Portugal ou no Brasil, exerciam uma das poucas 
possibilidades de trabalho livre na colnia.
  Cada engenho tinha sua prpria lavoura de subsistncia (1), onde se plantavam 
milho, feijo, mandioca, abbora, batata-doce etc., e suas prprias criaes 
de animais, como galinhas e porcos. Essa produo destinava-se ao consumo 
dos moradores da casa-grande. O trabalho com o cultivo de alimentos e a
criao dos animais 
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
     (1) Lavoura de subsis-
  tncia: o que se planta para o
  prprio sustento.
<F+>
<P>
era feito basicamente pelos escravos africanos e indgenas.
  Os senhores de engenho mais ricos possuam dezenas ou at centenas de
escravos. A maioria deles trabalhava no cultivo de cana e na produo do 
acar. Outros trabalhavam na casa-grande, fazendo servios domsticos.

<R+>
_`[{foto de uma escrava, ao lado dela est um menino branco. Legenda a seguir_`]
<R->
  Dentre os inmeros servios domsticos que os escravos realizavam estava o 
de ama dos filhos dos senhores. Fotografia de Joo Ferreira Gomes, feita em 
cerca de 1860.

<60>
  Os escravos trabalhavam todos os dias da semana sem receber nenhum tipo de 
remunerao. O trabalho era pesado e vigiado constantemente pelos feitores, 
que castigavam os escravos que no cumpriam as ordens dos senhores. No pouco 
tempo livre de que dispunham, os escravos podiam cuidar de suas prprias 
roas e famlias (se tivessem). Muitas vezes aproveitavam esses momentos 
para planejar aes de resistncia contra a escravido.
  Na sociedade aucareira, havia ainda os homens livres que, sendo 
proprietrios de pequenos pedaos de terras, tambm cultivavam produtos e 
criavam animais -- algumas vezes com o auxlio de seus familiares ou 
vizinhos, outras vezes com o trabalho de escravos.

<R+>
_`[{foto de um feitor chicoteando um escravo. Legenda a seguir_`]
<R->
  Os feitores eram trabalhadores livres nomeados pelos senhores de engenho para,
entre outras coisas, fiscalizar e punir os escravos. Essas punies geralmente
eram pblicas e serviam para mostrar aos outros escravos o que acontecia com
quem se rebelasse. Reproduo da obra *Aplicao do castigo*, de Debret, feita
no incio do sculo XIX.

<R+>
4 No texto foram apresentados trs grupos sociais: o do senhor de
engenho; o dos escravos negros e o dos trabalhadores livres.
Identifique, quando possvel, as caractersticas de cada grupo, com
relao a:
 a) moradia; 
 b) trabalho; 
 c) educao.

 5 Com a ajuda do professor, organizem-se em grupos para representar
como era a vida dos escravos africanos e dos senhores de engenho e
suas famlias. Vocs podem fazer uma dramatizao, um desenho,
escrever um poema, um texto em prosa ou jornalstico etc. Marquem
um dia para apresentar os trabalhos.
 
<P>
6 Observe a imagem a seguir.

_`[{legenda: *Famlia de fazendeiros*, gravura feita por Rugendas, pintor
alemo que viajou pelo Brasil no sculo XIX_`]

 a) Leia a legenda e responda: Quem  o autor da gravura? O que a imagem 
est representando?
 b) Compare o que podemos saber sobre a vida dessas pessoas, pela gravura, 
com a vida domstica atual. Considere:
 a construo (paredes, piso, teto, portas);
 os mveis;
 os objetos pendurados nas paredes;
 as roupas das pessoas; 
 o que cada uma est fazendo;
 modo como o recm-chegado aguarda;
 outros aspectos que queira comentar.
<P>
     No caderno, escreva um pequeno texto sobre o que voc observou.
<R->

<F->
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  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

               ::::::::::::::::::::::::

<62>
Documentando

  No perodo colonial, o processo de fabricao do acar era quase todo 
feito por escravos. Alguns homens livres tambm trabalhavam nos engenhos, 
como os mestres de produo e os feitores. 
  O trabalho dos escravos era bastante cansativo, sendo feito por homens, 
mulheres e crianas. Os homens, por exemplo, cortavam a cana e a transportavam,
do canavial para a casa de moer, em carros de boi. L, as mulheres amarravam 
a cana em feixes e alimentavam a moenda para a retirada do caldo da cana, a 
garapa. As crianas cuidavam dos animais que faziam girar a moenda. 
  Em seguida, os escravos coavam o caldo obtido e o levavam para a casa das
fornalhas, onde ele era cozido at engrossar. Nessa fase, era chamado de melao.
  Na casa de purgar, o melao era colocado em frmas com um buraco no fundo, 
por onde escorria o que restava do lquido. Durante cerca de dois meses era 
deixado ali para secar e endurecer. 
  Depois desse tempo, o acar era retirado das frmas, quebrado e selecionado.
O acar mais branco era mandado para a Europa; o mais escuro era consumido no Brasil.
<63>
  Antonio Vieira, padre jesuta que viveu no Brasil no sculo XVII e se destacou 
por ser um grande orador (1), chamou o pro-
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
      (1) Orador: pessoa que 
   reconhecida por seu talento 
  em fazer discursos.
<F+>
<P>
cesso de produo de acar de 
"doce inferno". Leia, a seguir, um trecho adaptado de um de seus sermes.

Doce inferno -- acar 
  e escravido

  Que coisa h na confuso deste mundo mais semelhante ao inferno, que 
qualquer desses vossos engenhos? Por isso foi to bem recebida aquela bela 
e discreta definio de quem chamou a um engenho de acar *doce inferno*. E 
verdadeiramente quem vir na escurido da noite aquelas fornalhas tremendas 
perpetuamente ardentes; as labaredas que esto saindo a borbotes de cada uma
pelas duas bocas ou ventas, por onde respiram o incndio; os africanos banhados 
em suor, to negros como robustos que administram a grossa e dura matria ao 
fogo, e os forcados com que o revolvem e atiam; as caldeiras ou lagos ferventes
vomitando espumas, exalando nuvens de vapores; o rudo das rodas, das cadeias, 
da gente toda da cor da mesma noite, trabalhando vivamente, e gemendo tudo
ao mesmo tempo, sem momentos de trgua, nem de descanso; quem vir enfim toda 
a mquina, no poder duvidar que  uma semelhana do inferno. (...)

<R+>
Padre Antonio Vieira. Em: Elsa Gonalves Avancini. *Doce inferno: acar -- 
guerra e escravido no Brasil holands (1580-1654)*. 9. ed. So Paulo, 
Atual, 1991. p. 25

1- Procure no dicionrio o significado das palavras que voc no conhece e 
leia o texto novamente.
 2- Que parte do processo da produo do acar  retratada no texto?
 3- Em uma folha avulsa, faa um desenho para representar o engenho descrito
no texto. Depois, fixe-o no mural da sala de aula e observe o desenho de seus colegas.
<R->

<F->
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  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

<64>
<R+>
4- Faa uma pesquisa para saber como o acar  produzido atualmente. 
Depois, escreva um pequeno texto comparando o processo de trabalho atual 
com o descrito no texto.
<R->

               oooooooooooo

Atividades Econmicas no 
  Interior

  Os primeiros colonos que aqui chegaram para promover a ocupao das terras 
fixaram-se em reas prximas ao litoral, desenvolvendo o cultivo da cana e a 
produo de acar. Antes disso, os portugueses vinham para explorar o 
pau-brasil da mata Atlntica e estabeleciam feitorias, mas no se fixavam.
  Observe o mapa: 

<R+>
_`[{mapa *Economia do Brasil Colnia (sculo XVI)* apresentando o Brasil,
dividido pelo Meridiano de Tordesilhas, destacando as atividades econmicas 
desenvolvidas nas vilas e cidades nesta poca: pau-brasil, cana-de-acar, 
pecuria e tabaco_`]

<65>
1 Responda:
 a) Qual o ttulo do mapa?
 b) A que poca ele se refere?
 c) O que ele representa?
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

  Nos sculos XVII e XVIII, porm, ocorreu uma grande movimentao para o 
interior do territrio da colnia -- o serto --, promovendo sua ocupao. 
Essas reas at ento continuavam como eram antes da chegada dos europeus: 
cobertas de matas e habitadas pelos indgenas.
  A ida em direo ao interior deu-se por vrios motivos, principalmente a 
procura de metais preciosos.
  No final do sculo XVII, o preo do acar caiu no mercado europeu, reduzindo
os lucros dos portugueses. O governo de Portugal decidiu ento intensificar 
a procura de jazidas de metais preciosos, pois precisava encontrar novas 
fontes de riqueza. Vrias expedies em direo ao interior do territrio 
foram organizadas com esse objetivo.
  Outro motivo que contribuiu para o desbravamento e a ocupao do interior 
foi o apresamento (1) de ndios. Desde o final do sculo XVI, os bandeirantes entravam 
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
      (1) Apresamento: ato de
  capturar, aprisionar, apreender.
<F+>
<P>
nas matas para capturar indgenas e, depois, vend-los aos colonos.
  A maioria das bandeiras partia da vila de So Paulo, na capitania de So 
Vicente. Alm do apresamento de ndios, os bandeirantes dedicaram-se  
procura de metais preciosos, principalmente no sculo XVIII.

<R+>
_`[{foto de ndios e bandeirantes. Legenda a seguir_`]
<R->
  Nesta reproduo de detalhe de pintura de Debret, feita no sculo XIX, vemos ndios capturados
por bandeirantes.

<66>
<R+>
2 Para embrenhar-se na mata, os bandeirantes utilizavam roupas apropriadas, 
que lhes protegiam o corpo. Faa uma pesquisa em livros e enciclopdias para
saber como era a vestimenta dos bandeirantes.
<R->

  O gado, principalmente o bovino, foi outro motivo que levou os portugueses 
ao interior do territrio. No sul da colnia esse gado, trazido de Portugal 
pelos padres jesutas, vivia solto e adentrava (2) a mata, voltando a ser 
animais selvagens. Muitos paulistas iam em busca desses animais para 
abastecer os povoados que comeavam a se formar por causa da minerao. No 
nordeste, a criao de gado havia sido iniciada para abastecer os engenhos 
de acar (alimentao e mover moenda). No entanto, como as terras do litoral
eram utilizadas para o cultivo da cana e a produo do acar, os criadores 
de gado tiveram que procurar outras terras, rumando para o interior. 
  A partir do sculo XVII, a busca das chamadas drogas do serto -- guaran, 
urucum, cacau, baunilha, canela, cravo, razes aromticas, alguns tipos de 
pimentas etc. -- contribuiu para 
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
      (2) Adentrava: entrava, 
  penetrava.
<F+>
<P>
desbravar o norte da colnia. Na regio amaznica, os jesutas
criaram aldeamentos para catequisar os indgenas. Os nativos coletavam as drogas do serto, que, depois, eram vendidas na 
Europa proporcionando grandes lucros aos jesutas.

<R+>
_`[{gravura mostrando um acampamento e um aglomerado de homens e animais, na
floresta Amaznica. Legenda a seguir_`]
<R->
  Alm das drogas do serto, muitos animais da floresta eram caados, 
impulsionando a ocupao da Amaznia. Reproduo da obra *Escavao e
preparo de ovos de tartaruga*, de Spix e Martius, sculo XIX.

<67>
<R+>
3 Pergunte aos adultos de sua casa ou faa uma pesquisa para saber qual o 
uso das seguintes drogas do serto:
 a) guaran; 
 b) razes aromticas;
 c) pimenta; 
 d) cravo e canela.

4 Cite os motivos que levaram os colonizadores portugueses a rumarem para o 
interior do territrio brasileiro.
 5 Observe o mapa a seguir:

_`[{mapa *Economia do Brasil Colnia (sculo XVIII)* representando as atividades
econmicas desenvolvidas nesta poca: pau-brasil, cana-de-acar, pecuria,
minerao, drogas do serto, tabaco e algodo_`]

<68>
  Compare os mapas da economia colonial no sculo XVIII (p. 67) e no
sculo XVI (p. 64). Depois, responda:
 a) Quais atividades econmicas do sculo XVI continuavam sendo
praticadas no sculo XVIII?
 b) Observe as reas ocupadas por essas atividades nos dois mapas.
     Quais produtos ampliaram sua rea de ocupao?
 c) Alguma atividade do sculo XVI deixou de ser praticada no sculo
XVIII?
 d) Que atividades econmicas do sculo XVIII no eram praticadas no
sculo XVI?
 e) Que cidades surgiram devido ao extrativismo das drogas do serto?
Cite o nome de trs.
 f) Que cidades surgiram devido  atividade de minerao? Cite o
nome de trs.
<R->

<F->
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  pea orientao ao professor  y
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               oooooooooooo

Os Caminhos do Serto

  As bandeiras, expedies rumo ao interior da colnia nos sculos
XVI, XVII e XVIII, eram muito diferentes das viagens que fazemos hoje.
Naquela poca no havia estradas, muitas vezes nem picadas na mata.
Tambm no havia mapas.
  Os caminhos eram cheios de perigos: animais selvagens, doenas,
indgenas que resistiam  invaso do seu territrio etc. Havia ainda o risco
de se perder. Para tornar as viagens rumo ao serto menos arriscadas,
muitos bandeirantes procuravam seguir o curso dos rios.
<69>
  Para diminuir o risco de se perder, os bandeirantes utilizavam como guias
indgenas que j haviam feito contato e alianas com os europeus. Nesse
contato com os indgenas, os bandeirantes aprenderam muitos meios de
sobrevivncia na mata e adquiriram novos hbitos, especialmente na alimentao.

<R+>
1 Converse com um colega e respondam: Quais as vantagens que os
bandeirantes tinham ao seguir o curso dos rios em suas incurses
para o interior?
<P>
 2 Em uma folha avulsa, faa um desenho que represente como voc
imagina que eram os caminhos para o serto. Depois, fixe o seu
desenho no mural da sala de aula e observe o dos colegas.
<R->

<F->
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  pea orientao ao professor  y
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A Minerao e as Cidades

  At a descoberta do ouro, havia poucas cidades no Brasil. A maioria
dos ncleos urbanos eram vilas com ruas de terra estreitas, igrejas
simples e um pequeno comrcio local.
  As maiores cidades eram Salvador, a primeira a ser fundada no Brasil,
e o Rio de Janeiro. Elas haviam crescido porque era de seus portos que
se exportavam os produtos, principalmente o acar, para a Europa. Alm
do porto, essas cidades possuam os armazns de acar, a alfndega --
que servia para controlar a entrada e a sada de produtos da colnia e
cobrar os impostos -- e a cadeia. Nas cidades moravam e trabalhavam
os juzes, os cobradores de impostos, os militares e os bispos.

<70>
<R+>
1 Por que em outras regies no ocorreram processos de
desenvolvimento semelhantes a Salvador e Rio de Janeiro?
<R->

  Com a descoberta e a explorao de ouro e pedras preciosas
(final do sculo XVII e incio do sculo XVIII), nas reas que hoje
correspondem aos estados de Minas Gerais, Gois e Mato Grosso,
ocorreram grandes mudanas. De um lado, o povoamento da colnia
estendeu-se para o interior. De outro, a dominao colonial
tornou-se mais intensa, pois o rei de Portugal passou a exercer
severo controle sobre a extrao de pedras e metais preciosos. Esse
controle era feito por representantes que ele mesmo nomeava. As leis
ficaram ainda mais severas e a explorao das riquezas coloniais
intensificou-se.
  Leia, a seguir, um texto sobre outros aspectos das mudanas
ocorridas na poca da minerao, no sculo XVIII.

O ouro transforma a paisagem

  (...)
  Pessoas de todos os tipos, de todas as idades, se deslocaram para
as reas de minerao. O ouro parecia um m, que atraa gente de
todos os lugares, at mesmo da Europa. Em poucos anos, vrias
cidades nasceram nas reas de minerao, com todas as
caractersticas dos centros urbanos: bom comrcio, funcionrios
pblicos, cobradores de impostos, artesos e militares. Todos
dependiam dos alimentos que vinham de longe, porque as terras da
rea de minerao no eram frteis e ningum queria perder tempo
criando animais. Um boi custava seu peso em ouro, e os que
comercializavam alimentos ficaram to ricos quanto os que acharam
esse precioso metal.
  Tambm vieram para a regio os pintores e escultores, os ferreiros,
os fabricantes de selas, os sapateiros e alfaiates, as cantoras e
bailarinas, os atores, os que faziam jornais. Lojas e mercados surgiram
por toda a parte e nasceram muitas cidades: Vila Rica, Sabar,
<71>
Mariana. Elas possuam ruas largas e caladas com pedras, prdios altos e
bem ornados, igrejas com altares folheados a ouro. (...)

<R+>
2 Releia o item "Vida e trabalho nos engenhos" (p. 56). Depois, compare a regio
canavieira (engenhos) com a regio de minerao (cidades). Faa 
<P>
  um quadro como o seguinte em seu caderno e complete-o.

Como eram na regio canavieira?

As ruas .....
 O comrcio .....
 As atividades .....
 As igrejas .....
 O abastecimento e a alimentao .....

Como eram na regio de minerao?

 As ruas .....
 O comrcio .....
 As atividades culturais .....
 As igrejas .....
 O abastecimento e a alimentao .....
<R->

               oooooooooooo

<72>
Trabalho e Trabalhadores na 
  poca da Minerao

  No incio da minerao, enquanto essa atividade era controlada pelos
paulistas, a mo-de-obra utilizada na extrao do ouro e dos diamantes
era, principalmente, a de escravos indgenas.
  Quando a regio foi dominada por colonos de outras capitanias,
como Pernambuco e Bahia, e por portugueses que vinham da metrpole, os
escravos africanos tambm foram utilizados para extrair metais preciosos.
Assim como nos engenhos, na minerao o trabalho era muito duro.
  Inicialmente, o ouro era retirado do leito dos rios. Para extrair esse 
ouro, os escravos ficavam o dia todo com as pernas dentro d'gua, o que
acontecia tambm na lavagem dos diamantes.
  Como a regio mineradora era mais fria que o litoral, muitos escravos
acabavam sofrendo de doenas respiratrias, o que quase sempre os levava 
 morte. Eles ficavam enfraquecidos com as pssimas condies em que 
viviam e, naquela poca, no havia medicamentos eficientes contra essas doenas.
  A minerao estimulou a formao de cidades e, com isso, surgiram outros 
tipos de trabalhos. 
<73>
  O rpido crescimento da populao, devido principalmente  chegada
de migrantes, criou a necessidade de muitas construes: moradias, prdios 
para as reparties pblicas, pontes, chafarizes etc. Havia tambm muito o 
que transportar: alimentos e outros produtos para o comrcio, alm de pessoas.
O comrcio ambulante, principalmente o de alimentos prontos para o consumo, 
tambm era intenso. Todos esses trabalhos eram feitos por escravos ou por
pessoas livres e pobres.

<R+>
_`[{gravura mostrando escravos lavando diamantes. Legenda a seguir_`]
<R->
  Lavagem de diamantes em Curralinho. Reproduo da obra de Johann Spix 
e Karls von Martius, 1817. Nesse processo, usava-se a gua para separar o
diamante de impurezas. 

<R+>
1 Responda:
 a) Assim como nos engenhos, qual o tipo de trabalho utilizado na minerao?
 b) Alm dos escravos, que outros trabalhadores se dirigiram para a regio 
de minerao? (Releia o texto *O ouro transforma a paisagem*, da pgina 70 (representao em braille)
<R->

  Muitos desses escravos eram de aluguel ou de ganho, isto , recebiam 
por seu trabalho. Uma parte do ganho ficava para o escravo, para pagar 
suas despesas, e a maior parte ficava para seus senhores.
  Como os alimentos vinham de longe -- do sul e do nordeste -- e eram caros,
os senhores muitas vezes no se responsabilizavam pela alimentao dos 
escravos. Assim, alguns senhores permitiam que seus escravos trabalhassem 
nas roas, nos dias santos e feriados, para seu prprio sustento. Milho, 
feijo, fub, carne e peixe seco estavam entre os principais alimentos dos 
trabalhadores.

<74>
<R+>
2 Junte-se com um colega e observem as imagens a seguir.

_`[{Duas fotos. Legenda a seguir_`]
<R->
  Foto 1: Nesta reproduo de gravura de Debret, feita no incio do sculo
XIX, vemos um escravo de ganho vendendo produtos na cidade.
  Foto 2: Na foto, vendedor ambulante na cidade de So Paulo, atualmente. 

<R+>
a) As imagens acima retratam cenas de que poca?
 b) O que vocs percebem de semelhante entre as duas imagens?

<P>
3 Por que os senhores permitiram que os escravos passassem a cultivar
seus prprios alimentos ou a ficar com parte do dinheiro obtido com a
venda de mercadorias nas cidades?
<R->

  No sculo XVIII, a regio das Minas Gerais chegou a ter uma
populao de 100 mil escravos africanos. Nela tambm surgiu um grande
nmero de quilombos. Os quilombos eram comunidades organizadas por
escravos fugidos. Neles os negros podiam viver livres, trabalhando para
garantir sua sobrevivncia. Os quilombos representaram uma das formas
de resistncia dos africanos  escravido.

<75>
<P>
Leia o texto a seguir.

Os africanos resistem  
  escravido

  Pouco se sabe sobre a vida cotidiana dos quilombolas, como eram
chamados os habitantes dos quilombos. As informaes que temos
revelam que os quilombos menores no se fixavam em um nico lugar,
deslocando-se de um lado para o outro, sobrevivendo do pequeno comrcio, 
do garimpo ou como assaltantes. Nos agrupamentos maiores, encontramos 
uma populao livre e pobre, formada por ndios e forros (1), convivendo
lado a lado com os escravos fugidos. Ocuparam-se do cultivo de seus prprios
alimentos e construram um sistema de 
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
      (1) Forros: pessoas que
  foram libertadas.
<F+>
<P>
segurana feito de paliadas (2) e fossos (3), a fim de evitar os ataques dos capites-do-mato. Os 
capites-do-mato eram pessoas, nomeadas pelas autoridades locais, que 
comandavam expedies que entravam pela mata adentro com o objetivo de 
eliminar os quilombos e capturar os negros fugidos. 

<R+>
Andra Lisly Gonalves e ris Kantor. *O trabalho em Minas colonial*.
So Paulo, Atual, 1996. p. 29

4 O texto fala que nos quilombos, alm dos negros africanos, havia ndios 
e forros. Na sua opinio, o que levou pessoas de culturas e condies 
diferentes a se unir nos quilombos?
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
      (2) Paliadas: obstcu-
  los de defesa feitos com esta-
  cas fincadas na terra.
      (3) Fossos: buracos fei-
  tos em terreno.
<F+>
<P>
 5 Faa, em uma folha avulsa, um desenho para ilustrar o texto. Depois,
fixe-o no mural da sala de aula e observe os desenhos dos colegas.
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

  Embora tenham existido em grande nmero em Minas Gerais no sculo XVIII, 
os quilombos j haviam surgido antes. Muitos escravos fugiram dos engenhos
e formaram quilombos j no sculo XVII. O maior deles foi o de Palmares, 
situado no atual estado de Alagoas, que resistiu por 65 anos aos ataques 
das tropas formadas por bandeirantes. Essas tropas foram contratadas 
especialmente pelo rei de Portugal e pagas 
<76>
pelos senhores de engenho do nordeste para destruir esse quilombo, cujo
lder mais conhecido foi Zumbi.
  Ainda hoje existem muitas reas no Brasil onde vivem descendentes
dos quilombolas. Algumas delas esto ocupadas h sculos. Hoje, muitas
dessas pessoas lutam pela posse definitiva de suas terras -- um direito
que foi reconhecido por lei em 1988.
  No ano 2000, existiam mais de 80 mil descendentes de quilombolas vivendo 
em vrios estados do Brasil. Observe no mapa a seguir onde se localizam 
essas comunidades, chamadas de remanescentes de quilombos.

<R+>
_`[{mapa *reas Remanescentes de Quilombos no Brasil (2000)*. Relao a seguir_`]
<R->
  AM -- 1 comunidade;
  RO -- 2 comunidades;
  PA -- 36 comunidades;
  AP -- 1 comunidade;
  MA -- 172 comunidades;
  PI -- 25 comunidades;
  CE -- 5 comunidades;
  RN -- 15 comunidades;
  PB -- 13 comunidades;
  PE -- 15 comunidades;
  AL -- 10 comunidades;
  SE -- 23 comunidades;
  BA -- 245 comunidades;
  MG -- 69 comunidades;
  ES -- 15 comunidades;
  RJ -- 14 comunidades;
  SP -- 33 comunidades;
  PR -- 1 comunidade;
  SC -- 4 comunidades;
  RS -- 9 comunidades;
  MT -- 2 comunidades;
  MS -- 6 comunidades;
  GO -- 7 comunidades;
  TO -- 1 comunidade;
  AC e RR -- no h registro de existncia de comunidades.
  
<R+>
6 No estado onde voc mora h comunidades remanescentes de
quilombos? Quantas?
 7 Por que ainda hoje os descendentes de quilombolas continuam
lutando?
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<77>
<P>
Para terminar

  Observe estas imagens. Elas tratam de diferentes momentos
da histria do Brasil.

_`[{cinco fotos_`]
  Foto 1: praia, ndios e caravelas.
  Foto 2: escravos, carro de bois, cana-de-acar, moenda e
fornalha.
  Foto 3: rio, escravos e bateias.
  Foto 4: ndios, instrumento cortante, tronco de rvore.
  Foto 5: rua, prdios, comrcio ambulante, homens brancos
e escravos.

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

<78> 
<R+>
1 Descreva cada imagem, mencionando os elementos que nela 
aparecem e a cena retratada.

2 Com base nas imagens, responda:
 a) Quais momentos da histria do Brasil so retratados?
 b) Durante o perodo colonial, qual foi a principal mo-de-obra utilizada
nas atividades econmicas?

               ::::::::::::::::::::::::

Para saber mais

livros
 *Menina bonita do lao de fita*, de Ana Maria Machado.
So Paulo, Melhoramentos, 1999.
 *O amigo do rei*, de Ruth Rocha. So Paulo, tica, 1999.
 *O rei preto de Ouro Preto*, de Sylvia Orthoff. So Paulo,
Moderna, 1997.
<P>
 *A histria dos escravos*, de Isabel Lustosa. So Paulo,
Companhia das Letrinhas, 2000.

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Primeira Parte
